A consultora Oxford Economics considera que a economia angolana poderá crescer acima dos 4% este ano, depois de o Produto Interno Bruto (PIB) ter registado uma expansão de 5,3% no primeiro trimestre, um desempenho que superou as expectativas e reforçou os sinais de diversificação da actividade económica.
Numa análise aos dados recentemente divulgados, os especialistas do departamento africano da consultora britânica destacam que o crescimento registado nos primeiros três meses do ano ficou significativamente acima da sua estimativa inicial de 3,7%, impulsionado sobretudo pelo forte desempenho do sector não petrolífero.
“O impressionante crescimento do sector não-petrolífero é um desenvolvimento bem-vindo, já que demonstra resiliência num contexto de volatilidade no sector petrolífero”, sublinham os analistas.
A avaliação ganha particular relevância numa economia historicamente dependente das exportações de crude. O desempenho dos sectores não ligados ao petróleo é visto pelos analistas como um indicador de maior robustez estrutural da economia angolana, numa altura em que o país procura consolidar o processo de diversificação económica e reduzir a vulnerabilidade aos ciclos internacionais das matérias-primas.
Apesar do resultado acima do esperado, a Oxford Economics mantém, para já, a previsão de crescimento económico em 3,8% para este ano, o que representa uma aceleração face aos 3% estimados para 2025. Segundo a consultora, a evolução positiva deverá ser sustentada pelo aumento das exportações petrolíferas, pela expansão da despesa pública, pela melhoria do emprego e pelo reforço do consumo interno.
Contudo, os analistas admitem que a actual projecção poderá revelar-se conservadora caso a dinâmica observada no sector não petrolífero se mantenha ao longo dos próximos trimestres.
“O desempenho mais forte que o esperado do sector não-petrolífero deverá influenciar a previsão e, se esta dinâmica de crescimento persistir, será necessária uma revisão em alta”, refere a nota.
A possibilidade de uma revisão das previsões surge num contexto em que Angola tem procurado estimular sectores como a agricultura, indústria transformadora, comércio, transportes e serviços, considerados fundamentais para garantir um crescimento mais sustentável e menos dependente do petróleo.
Para os investidores, os dados do primeiro trimestre constituem um sinal encorajador sobre a capacidade da economia angolana gerar crescimento para além do sector extractivo. Ainda assim, a consolidação desta tendência dependerá da continuidade das reformas económicas, da estabilidade macroeconómica e da capacidade de atrair investimento privado para os sectores produtivos.
O desempenho dos próximos trimestres será, por isso, determinante para confirmar se a economia angolana está efectivamente a entrar numa nova fase de crescimento mais diversificado e resiliente, capaz de sustentar taxas de expansão superiores às actualmente projectadas pelos analistas internacionais.





