Com mais de 14 anos de experiência no sector de petróleo e gás, Winne tem se destacado nas áreas de ambiente, sustentabilidade, ESG, diplomacia climática e regulação ambiental. Integra a delegação nacional angolana nas negociações climáticas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), contribuindo ativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa e o combate às mudanças climáticas.
A cientista ambiental angolana e mestre em Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Leeds, é co-fundadora do Fórum Nacional de Negócios Sustentáveis de Angola (FNNS), uma plataforma estratégica que integra sustentabilidade com desenvolvimento económico e empresarial.
À FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a cientista considera que Angola tem vindo a demonstrar uma enorme proatividade na disponibilização de relegação nova ou melhorada em linha com os constantes avanços desta temática a nível mundial, em termos de regulação ambiental
Que avaliação faz sobre o sector de petróleo e gás em Angola?
Sou de opinião que o sector de petróleo e gás em Angola atravessa uma fase de transformação progressiva e altamente relevante, reflectida na recuperação gradual da produção e no crescente interesse de investidores internacionais.
Contudo, apesar destes avanços, considero essencial que todos os intervenientes do sector mantenham uma visão estratégica e consciente dos potenciais desafios, sobretudo daqueles que não estão sob controlo directo das instituições nacionais ou que resultam de dinâmicas externas, muitas vezes determinadas por factores geopolíticos e económicos globais.
Os investimentos que estão a ser feito têm vindo a impactar sector e a sociedade?
Como dita a teoria, investimento no sector de petróleo e gás é fundamental para a economia, pois ajuda a garantir receitas. Do ponto de vista social, o impacto é igualmente positivo, impulsiona o desenvolvimento sustentável através da criação de empregos, capacitação de quadros nacionais e integração de empresas angolanas na cadeia de valor.
Como é que Angola está em termos de diplomacia climática e regulação ambiental?
Penso que Angola tem vindo a reafirmar e a reforçar cada vez mais a sua actuação na diplomacia climática, por meio de presença internacional nos palcos onde são discutidos, debatidos e aprovadas medidas ligadas a agenda climática global como por exemplo nas Conferências das Partes (COP).
Em termos de regulação ambiental, Angola tem vindo a demonstrar uma enorme proatividade na disponibilização de relegação nova ou melhorada em linha com os constantes avanços desta temática a nível mundial. Um outro aspecto que eu considero positivo é encontrado nas ambições e metas definidas para o alcance da redução das emissões e medidas ligadas à acção climática que permitem com que o nosso desenvolvimento seja frutífero e sustentável.
As empresas estão preocupadas com isso?
Com base nas observações realizadas durante e após a realização do 1.º Fórum Nacional de Negócios Sustentáveis, ocorrido em 2025, considero que, de uma forma geral, as empresas têm demonstrado uma preocupação crescente com o cumprimento da regulamentação vigente e com a necessidade de colaborar de forma mais abrangente para que os resultados pretendidos ao nível nacional sejam efectivamente alcançados.
Este envolvimento reflecte uma maior consciência do papel do sector empresarial na promoção de práticas responsáveis e alinhadas com os objectivos de desenvolvimento sustentável do país.
Qual é a sua preocupação em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa?
Uma das minhas principais preocupações em relação à redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) está associada à complexidade inerente a este objectivo. A experiência dos debates e negociações nas COPs demonstra claramente que não existe uma solução única ou uma “receita universal” que possa ser aplicada de forma igual a todos os países.
Os contextos económicos, sociais e tecnológicos são profundamente distintos, sobretudo quando comparamos países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Esta assimetria é agravada por um desequilíbrio significativo na disponibilização de recursos financeiros que são essenciais para a implementação das ações de mitigação e adaptação climática.
Assim, a minha preocupação reside no risco de se estabelecerem metas globais ambiciosas sem garantir, de forma equitativa, os meios financeiros e tecnológicos necessários para que todos os países possam contribuir de maneira justa e efectiva para a redução das emissões de GEE.
Há passos significativos neste sentido?
Sim, têm ocorrido avanços significativos, sobretudo no reconhecimento, a nível internacional, de que os países não partem do mesmo ponto e de que cada um deve exercer a sua soberania na definição das decisões e estratégias relacionadas com a acção climática.
No entanto, ainda existe amplo espaço para progressos adicionais, uma vez que actualmente a disponibilização dos recursos financeiros, não condiz com o que é realmente necessário. Sem o financiamento adequado e acesso efectivo à tecnologia, muitos países terão dificuldades em reduzir as emissões de GEE na celeridade e escala desejadas.
Em termos práticos, Angola tem dado sinais relevantes no combate às mudanças climáticas?
Sim, Angola tem dado sinais relevantes neste domínio. A expansão das energias renováveis, que já representam cerca de 66% da electricidade produzida no país, a implementação da Estratégia Nacional de Mudanças Climáticas 2022–2035, bem como a actualização da NDC 3.0, são alguns exemplos práticos dos passos que Angola tem vindo a dar no combate às alterações climáticas.
Mas são poucas empresas preocupadas com isso?
A realização do 1.º Fórum Nacional de Desenvolvimento Sustentável evidenciou que o interesse das empresas angolanas pelo ESG é crescente, embora ainda desigual.
As grandes empresas, sobretudo aquelas com ligação ao investimento internacional, já reconhecem o ESG como um factor estratégico, essencial para o acesso a capital, a gestão de riscos e a reputação corporativa.
Nesse contexto, o 2.º Fórum Nacional de Negócios Sustentáveis, a realizar-se no dia 10 de Março, em Luanda, representa uma excelente oportunidade para estender esse debate às pequenas e médias empresas, que muitas vezes ainda encaram o ESG apenas como um custo adicional.
O Fórum permitirá demonstrar, de forma prática, que a adopção de princípios ESG constitui uma vantagem competitiva, aumentando a capacidade de crescimento, inovação e resiliência das empresas, enquanto promove um desenvolvimento económico mais inclusivo e sustentável em Angola.





