A escritora e argumentista brasileira Ana Paula Maia está entre os seis finalistas do Prémio Booker Internacional, com o livro “Assim na terra como embaixo da terra”, traduzido para inglês por Padma Viswanathan, anunciou a organização.
Os restantes nomeados desta ‘shortlist’ que o júri de prémio classifica como “revigorante” e “imperdível” são “The Nights Are Quiet in Tehran”, da alemã Shida Bazyar, traduzido por Ruth Martin, “She Who Remains”, da búlgara Rene Karabash, traduzido por Izidora Angel, “The Director”, do alemão Daniel Kehlmann, traduzido por Ross Benjamin, “The Witch”, da francesa Marie NDiaye, traduzido por Jordan Stump, e “Taiwan Travelogue”, da taiwanesa Yáng Shuāng-zǐ, traduzido do mandarim por Lin King.
O romance de Ana Paula Maia, de 48 anos, intitulado “On Earth As It Is Beneath”, na sua versão inglesa, foi publicado originalmente no Brasil em 2017, e é ambientando numa colónia penal isolada – um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos –, que foi construída para ser um modelo de detenção do qual nenhum preso fugiria, mas que acaba por se tornar um campo de extermínio.
Na história, há uma espécie de capitão do mato/carcereiro, chamado Melquíades, que é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal.
Os presos, por sua vez, cada um com a sua história, estão permanentemente a planear a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da colônia.
“Os seis livros finalistas reflectem uma ampla diversidade de experiências internacionais, sendo que muitos deles se inspiram em momentos reais da História”, afirma o júri do prémio, acrescentando que estes romances transportam o leitor “desde a Taiwan sob domínio japonês na década de 1930 até à Europa controlada pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial; da magia e vida doméstica nos subúrbios de França nos anos 1990 ao tumulto e às consequências da Revolução Iraniana, em 1979; de uma colónia prisional brutal num canto remoto do Brasil até a uma comunidade patriarcal rígida nos Alpes da Albânia”.
São obras com “personagens inesquecíveis” e com “narrativas que captam momentos ao longo do último século, ecoando História”, considerou Natasha Brown, presidente do júri.
“Embora estas histórias incluam desgosto, brutalidade e isolamento, o seu efeito duradouro é revigorante. Ao reler cada obra, nós, jurados, encontrámos esperança, perspicácia e uma humanidade intensa”, sublinhou, citado pela Lusa.





