BAI altera estatutos e dá ‘tiro de largada’ para cotação bolsista num grupo de 25 bancos

Uma alteração aos estatutos do Banco Angolano de Investimento (BAI), materializada esta semana, vai permitir que a instituição abra, nos próximos tempos, o seu capital em bolsa, num acto único até agora no sistema bancário nacional, informou a entidade em nota enviada à redacção da FORBES. Líder do sistema bancário angolano em activos, com pouco…
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Líder do sistema bancário em activos, o BAI é o primeiro da praça doméstica a desafiar-se no processo que o torna, doravante, numa sociedade aberta. Passo vai exigir melhoria na prestação de conta.
Economia

Uma alteração aos estatutos do Banco Angolano de Investimento (BAI), materializada esta semana, vai permitir que a instituição abra, nos próximos tempos, o seu capital em bolsa, num acto único até agora no sistema bancário nacional, informou a entidade em nota enviada à redacção da FORBES.

Líder do sistema bancário angolano em activos, com pouco mais de 3 biliões de kwanzas, a gestão da instituição bancária qualifica o acto como “histórico”. Na voz do vice-presidente do seu conselho de administração, Mário Barber, o BAI diz ser “este é o caminho expectável para uma instituição em franco crescimento”.

Citado no documento de poucos parágrafos, Barber considera ainda que a alteração dos estatutos é um primeiro passo do início de uma nova fase do Banco Angolano de Investimentos.

“O Banco Angolano de Investimentos S.A. informa que, em Assembleia Geral Extraordinária, os accionistas aprovaram unanimemente a alteração dos Estatutos da Sociedade, para efeitos da preparação da sua qualificação como Sociedade Aberta”, lê-se na curta nota.

Com esta alteração, o BAI assumirá o estatuto de Sociedade Aberta e passará a ter de cumprir determinados requisitos, nomeadamente uma adaptação dos sistemas e processos, uma maior exigência na divulgação de informação financeira, atempada e transparente. “Este vai ser um processo longo, mas sustentado e transparente, prevendo-se que a efetivação da Oferta Pública de Venda se verifique em meados de 2022”, garantiu o presidente da comissão executiva do BAI, Luís Lélis.

À FORBES, vários analistas do sector bancário e financeiro convergiram nas suas declarações ao afirmarem que o acto de alteração dos estatutos do BAI vai pressionar congéneres do mercado, sobretudo as integrantes do ‘Top Five’, já que, referem, “com a intenção de venda das participações do Estado na banca, um processo que deve acontecer em bolsa, os bancos nessas condições estão obrigados a seguir o passo”.

Mas isto tem custo. Na visão dos analistas, o processo deve criar, no geral, pressão para outras entidades financeiras da praça nacional, seja do ponto de vista de alteração dos processos, cumprimento das regras de prestação e divulgação de informação, de forma a que todos os interessados nos negócios estejam protegidos. “Haverá muito escrutínio nesta fase para os bancos que pretenderem seguir neste processo agora inaugurado pelo BAI”, disse um especialista ligado à administração pública.

Apesar de liderar o ranking da banca por lucros, o banco presidido por Luís Lélis viu os seus lucros recuarem, em 2020, acima dos 70% para apenas 28.672 milhões kwanzas, pressionados pela queda de 9% da margem complementar, aumento em 31% dos custos e pelo crescimento das imparidades para crédito e outros, relativos aos investimentos em dívida e o impacto fiscal associado à anulação de impostos diferidos activos.

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