A banca de Cabo Verde registou uma ligeira redução da rentabilidade em 2025, com o retorno sobre capitais próprios (ROE) a fixar-se em 18,08% antes de impostos, abaixo dos 18,52% observados no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Banco de Cabo Verde.
Apesar da desaceleração, o indicador mantém-se em níveis historicamente elevados, representando o segundo melhor desempenho desde 2010, o que aponta para uma capacidade consistente de geração de resultados no sector.
Também o retorno sobre activos (ROA), que mede a eficiência operacional, segundo dados reproduzidos pela Lusa, registou uma ligeira queda, situando-se em 1,94% em Dezembro de 2025, marginalmente abaixo dos 1,96% alcançados em 2024, ainda assim, o segundo valor mais elevado da série.
A estrutura de receitas do sistema bancário continua fortemente dependente da margem financeira, que representa mais de 80% do produto bancário, evidenciando a predominância da actividade tradicional de intermediação num contexto de limitada diversificação de fontes de rendimento.
Em contrapartida, os indicadores de solidez registaram uma evolução claramente positiva. A liquidez do sistema atingiu um máximo histórico, com o rácio de activos líquidos sobre o total de activos a subir para 28,30%, reforçando a capacidade das instituições para fazer face a obrigações de curto prazo. Este valor compara com 25% em 2023 e 25,89% em 2024.
No mesmo sentido, o rácio de solvabilidade – um dos principais indicadores de robustez do sector – aumentou para 24,82% em Dezembro de 2025, o nível mais elevado desde o início da série estatística do banco central. O indicador havia sido de 23,77% em 2023 e de 23,93% em 2024.
Paralelamente, a qualidade dos activos bancários continuou a melhorar, com o rácio de crédito em incumprimento a recuar para 5,11% do total da carteira, um dos níveis mais baixos dos últimos 15 anos.
Numa leitura global, os dados sugerem um sector bancário menos pressionado do ponto de vista prudencial, mais capitalizado e com maior folga de liquidez, ainda que a rentabilidade comece a evidenciar sinais de moderação, um movimento que poderá reflectir o ajustamento do ciclo económico e financeiro, bem como a necessidade de maior diversificação das fontes de receita.
Este equilíbrio entre menor rentabilidade e maior robustez posiciona a banca cabo-verdiana numa trajectória de estabilidade, mas coloca desafios estratégicos quanto à sustentabilidade dos resultados num contexto de crescente exigência regulatória e competitiva.





