Banco Mundial apresenta Relatório de Actualização Económica de Cabo Verde

O Banco Mundial apresentou a Actualização Económica de Cabo Verde 2026, um relatório que analisa o desempenho recente da economia nacional e coloca a conectividade inter-ilhas entre os principais desafios ao crescimento sustentável do arquipélago. Intitulado “Analisando a Relação entre a Conectividade Inter-Ilhas e o Crescimento”, o documento destaca o forte dinamismo registado em 2025,…
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A economia cabo-verdiana cresceu 6,3% em 2025, impulsionada pelo turismo, pelo consumo privado e pela melhoria das contas públicas. O Banco Mundial alerta, no entanto, que os elevados custos e a falta de fiabilidade dos transportes entre as ilhas continuam a limitar o investimento privado, a criação de emprego e a diversificação económica.
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O Banco Mundial apresentou a Actualização Económica de Cabo Verde 2026, um relatório que analisa o desempenho recente da economia nacional e coloca a conectividade inter-ilhas entre os principais desafios ao crescimento sustentável do arquipélago.

Intitulado “Analisando a Relação entre a Conectividade Inter-Ilhas e o Crescimento”, o documento destaca o forte dinamismo registado em 2025, ano em que o Produto Interno Bruto real cresceu 6,3%, apoiado por um número recorde de chegadas de turistas, pelo aumento do consumo privado e pela melhoria do desempenho orçamental.

Apesar dos resultados positivos, o Banco Mundial considera que a economia permanece exposta à elevada dependência do turismo, aos riscos associados às empresas públicas e às limitações dos transportes aéreos e marítimos.

“Os resultados de Cabo Verde em 2025 mostram o que é possível alcançar quando a disciplina macroeconómica é acompanhada pelo dinamismo do sector privado”, afirmou Indira Campos, representante residente do Grupo Banco Mundial em Cabo Verde.

Segundo a responsável, o desafio passa agora por transformar a recuperação impulsionada pelo turismo num crescimento mais abrangente e resiliente, através de um sistema de transportes inter-ilhas mais fiável e acessível.

“Melhorar a conectividade reduzirá os custos, integrará os mercados e garantirá que mais cabo-verdianos, em todas as ilhas, possam beneficiar do crescimento”, acrescentou.

Em 2025, a inflação situou-se nos 2,3% e a taxa de pobreza diminuiu de 53,8% para 51,2%. A taxa de desemprego recuou para 6,2%, embora o desemprego jovem continue acima dos 15%.

As reservas internacionais atingiram um valor recorde de 975 milhões de euros, equivalente a 7,1 meses de importações projetadas. As receitas fiscais cresceram 16,8% em termos homólogos, contribuindo para que Cabo Verde registasse o primeiro excedente orçamental desde 2007.

A dívida pública baixou para 100,7% do PIB, mantendo uma trajetória descendente. O relatório alerta, contudo, que o serviço da dívida continua a absorver 34,2% das receitas do Estado.

Para 2026, o Banco Mundial prevê uma desaceleração do crescimento económico para 4,8%, devido aos efeitos do conflito no Médio Oriente e ao aumento da instabilidade internacional. No médio prazo, o crescimento deverá estabilizar em torno dos 5,1%.

A fraca conectividade entre as ilhas é identificada como um dos principais obstáculos à integração dos mercados nacionais. Os elevados custos e a reduzida fiabilidade dos transportes aumentam as despesas das famílias e das empresas, dificultam a circulação de pessoas e mercadorias e limitam o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais.

O relatório considera ainda que estas limitações contribuem para a concentração da atividade económica nas ilhas do Sal e da Boa Vista, reduzindo as oportunidades de emprego e investimento nas ilhas menos ligadas ao turismo.

Uma conectividade mais eficiente poderá, segundo a instituição, aproximar setores como o turismo, a agricultura, as pescas, a logística e os serviços locais, abrindo novos mercados às empresas e criando mais oportunidades de emprego, sobretudo para os jovens e as mulheres.

O documento defende igualmente o reforço da governação das empresas públicas, com o objetivo de reduzir os riscos para as finanças do Estado, melhorar a prestação dos serviços públicos e criar condições mais favoráveis ao investimento privado e à criação sustentável de emprego.

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