O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu manter a Taxa BNA em 17,5%, manter a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 18,5% e manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5%.
Adicionalmente, o CPM decidiu reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 18% para 17,5%.
A decisão de manutenção das taxas de juro de política reflecte a necessidade de preservar uma postura prudente, num contexto ainda marcado por incertezas no ambiente económico internacional, associadas ao agravamento dos conflitos geopolíticos, com eventuais impactos na economia nacional.
Por sua vez, a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional visa libertar liquidez para dinamizar o mercado monetário interbancário.
A intensificação das tensões comerciais e geopolíticas a nível mundial tem contribuído para uma maior volatilidade dos mercados, deteriorando as perspectivas de crescimento económico mundial para 2026.
No mercado das commodities energéticas, segundo uma nota do BNA, o preço de petróleo registou uma notável subida para níveis médios superiores a 80 dólares por barril.
O aumento do preço do petróleo reforça as preocupações quanto ao seu impacto nos preços dos bens alimentares e insumos produtivos, com implicações na inflação mundial, o que poderá agravar as condições monetárias e financeiras nos mercados internacionais.
A inflação manteve a sua trajectória descendente. A taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52% em Fevereiro de 2026, inferior à observada em Janeiro (0,68%). A classe de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas contribuiu com 0,34 pontos percentuais e representou 61,69% da inflação total.
A inflação homóloga situou-se em 13,35% e a sua desaceleração foi observada em todas as províncias, com destaque para o Huambo (11,36%), o Cunene (11,47%), o Zaire (11,82%) e o Namibe (11,91%). Em Luanda, a taxa de inflação homóloga fixou-se em 12,29%.
De acordo com as estatísticas das Contas Nacionais, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 cresceu 3,13%, impulsionado pela contribuição positiva da actividade económica no sector não petrolífero, cuja taxa de crescimento foi de 5,38%, destacando-se as actividades de Informação e de Comunicação (50,52%), Diamantes e Outros Minerais (8,38%), assim como a Indústria Transformadora (8,01%). A actividade Agropecuária e Silvicultura teve um desempenho positivo de 3,76%. Inversamente, o sector petrolífero registou uma contração de 5,22%.
No domínio monetário, a Base Monetária, em moeda nacional, contraiu 7,11% em Janeiro e 1,69% em Fevereiro. Em termos homólogos, a sua contracção foi de 1,60%.
O agregado monetário M2, em moeda nacional, reduziu 0,36% em Fevereiro, contribuindo para atenuar a expansão de 0,43% observada no mês anterior. Assim, a variação acumulada foi de 0,06% e a homóloga de 19,21%.
O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,23 biliões de kwanzas em Fevereiro de 2026, representando uma expansão de 0,37%, ou seja, 26,88 mil milhões de kwanzas em termos absolutos, face à contracção de 2,55% observada em Janeiro. Em termos homólogos, registou-se uma expansão de 18,56%.
No sector externo, nos dois primeiros meses do ano, o saldo acumulado da conta de bens foi de 2,45 mil milhões de dólares, face aos 2,83 mil milhões de dólares do mesmo período de 2025, representando uma redução de 377,06 milhões de dólares, resultante da queda do valor das exportações em 453,51 milhões de dólares.
O stock das Reservas Internacionais fixou-se em 15,93 mil milhões de dólares, o que representa um grau de cobertura de 7,4 meses de importação de bens e serviços.





