O Banco Nacional de Angola (BNA) aumentou em 1 ponto percentual (pp) a “Taxa BNA”, saltando de 18% para 19%, de acordo com o comunicado do seu Comité de Política Monetária (CPM), que esteve reunido nos dias 14 e 15 deste mês, na cidade de Caxito, capital da província do Bengo.
O aumento da Taxa BNA, que serve de guia para definição da taxa de juros por parte da banca comercial, tem na essência a intenção de travar o aumento da escalada de subida dos preços.
As regras da economia dizem que quando há subidas de preços, aumenta-se o preço do dinheiro para que diminua a liquidez no mercado e se pressione a que os preços recuem. Tudo certo, mas em Angola é preciso mais, já que há outras variáveis que influenciam fortemente a movimentação dos preços, consideram os entendidos na matéria.
Ao falar sobre o assunto, o economista Marlino Sambongue refere que a medida do banco central “é talvez minimalista mas acertada”, defendendo que o caso de Angola exige medidas mais abrangentes e multidisciplinares, já que além da questão do acesso ao dinheiro, há a dependência de importações de produtos acabados ou mesmo de produtos por serem acabados.
O especialista aponta mesmo para a questão cambial como sendo uma das variáveis relevantes para travar a escalada de subida de preços, pelo que, “mostra-se necessário encontrar formas de valorizar o kwanza”.
Uma perspectiva que vai ao encontro do que foi defendido pelo próprio governador do BNA, Manuel Tiago Dias, durante a conferência de imprensa realizada no final da 116ª reunião do CPM, que não só apontou para a valorização do kwanza, como mostrou o caminho para que tal aconteça, ao dizer que “a valorização do Kwanza está dependente do aumento da produção interna”.
Essa é também a mesma linha de pensamento que na altura da sua tomada de posse como ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano advogou. É de resto, apontam vários economistas, a única linha de pensamento possível no sentido de valorizar a moeda angolana, o kwanza.
Dando mostras de que está ciente disto, o Executivo liderado por João Lourenço, vem, de forma tímida, tentando seguir a estratégia do fomento da produção nacional, entretanto, com alguns efeitos práticos já.
O CPM decidiu igualmente aumentar a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18,5% para 19,5%, aumentar a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 17,5% para 18,5%, e manter o coeficiente das reservas obrigatórias, em moeda nacional, em 20%.
O órgão regulador do mercado bancário de Angola justifica as decisões com a “persistência das pressões inflacionistas na economia”, alegando que as mesmas visam contribuir para o controlo da liquidez em circulação.


