O Banco Nacional de Angola (BNA) adia para este mês a solução que pode tirar o Banco Económico da crise que se arrasta desde que o Estado angolano assumiu, há quase dois anos, o controlo das participações de dois grandes accionistas ao abrigo de uma estratégia de recuperação de activos criados com fundos públicos.
A nova agenda de desfecho do programa de reestruturação do banco foi tornada pública nesta Quinta-feira, 30, pelo banco central, e é justificada com a complexidade do problema que a instituição atravessa, quando já passam quase dois anos desde que o supervisor anunciou oficialmente estar em curso uma reestruturação naquele banco.
O próprio banco central reconheceu que o problema do Económico é “complexo” e a sua resolução consta entre as metas estruturantes do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo que se considera, segundo o supervisor angolano, um “pendente”.
“No estágio em que estamos, não foi possível concluirmos agora, neste mês de Setembro, mas estamos e prevemos que, em Outubro, este tema venha estar encerrado, e, nessa altura, conforme também comunicámos antes, teremos condição de fazer uma apresentação detalhada da nossa opção, do caminho [que estamos a seguir] para tratarmos essa situação, que, como se sabe, é ainda um pendente no âmbito do programa que temos com o Fundo Monetário Internacional, que se trata também de uma meta estrutural”, admitiu o governador do banco central angolano.
De acordo com a estratégia do banco central de Luanda, que tem estado a ‘sentar’ com diferentes stakeholders da entidade com vista a encontrar melhores soluções, a intervenção do BNA está a ser feita no sentido de assegurar o que considera de “contínua estabilidade do sistema financeiro angolano”, sem dizer, no entanto, até onde vai a crise daquela instituição bancária e que ameaças pode trazer à banca nacional.
“Em relação ao banco económico, temos estado a fazer um caminho interessante nesta frente; o banco tem problema que é complexo. É do domínio público e a nossa intervenção tem que assegurar a contínua estabilidade do sistema financeiro. Isso nós temos de ser capazes de garantir”, disse Massano.
A FORBES sabe, entretanto, que, do programa de busca de soluções, constam reuniões com os grandes depositantes do banco, entre os quais banqueiros e conhecidos empresários da praça doméstica, numa estratégia que os pode vir a colocar como futuros donos do banco que tem hoje o Estado, através de participações cruzadas, como principal accionista.
Aliás, até ao último ano que o Banco Económico apresentou um relatório e contas, 2018, integravam a estrutura acionista da instituição a Sonangol EP, com 70,78%, a Geni, que detém 19,90% e o português Novo Banco, que responde por 9,72% das participações sociais.
De lá para cá, não se conhecem resultados dos desempenhos daquele banco em vários exercícios, o que, também, não permite verificar os níveis de solvabilidade da instituição, nem como andam os recursos dos clientes depositados naquela entidade que é reincidente na prática de não divulgação de contas.
Analistas anteveem riscos da estratégia
Analistas ouvidos pela FORBES não escondem o receio de o problema trazer riscos à banca nacional. Ou seja, se o BNA atrasar com as respostas, analistas acreditam que o mercado bancário nacional pode vir a ser arrastado pela crise deste novo BESA, no que consideram um ‘Big to Fall’ à angolana.
“Mais dias, menos dias, vamos ver que vários bancos vão apresentar igual problema. Isto porque o Banco Económico gere activos de outras instituições bancárias e, ao não apresentar contas, ao não mostrar o que faz e onde terá aplicado os recursos dos clientes durante esse todo tempo que se desconhece as suas acções, o mercado entra em crise de expectativas. Isso é grave”, disse um veterano e importante banqueiro angolano à FORBES que pediu para não ser identificado.
Por sua vez, o banco central, como forma de impedir que Angola assista a uma crise igual a que ‘engoliu’ o Lehman Brothers nos Estados Unidos, tem estado a ensaiar uma bateria de soluções. “Temos por isso uma solução que está praticamente fechada; temos estado a fazer algumas abordagens com stakeholders, e disso também têm surgido contribuições que são importantes e que nos obrigam a reflectir, muito no sentido de melhorar a nossa opção, que, quando ela vier a ser anunciada termos a certeza de que vai efectivamente assegurar a solução dos complexos problemas que o banco ainda apresenta e vai de facto ajudar a manter os níveis de estabilidade do nosso sistema financeiro”, garante.





