A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) aderiu oficialmente à United Nations Sustainable Stock Exchanges – UN SSE (Iniciativa das Bolsas de Valores Sustentáveis das Nações Unidas), assinalando um passo significativo no reforço do seu compromisso com o financiamento sustentável, o investimento responsável e a transparência dos mercados de capitais.
A UN SSE é uma parceria global convocada pelas Nações Unidas que reúne bolsas de valores, investidores, reguladores e outros intervenientes dos mercados de capitais, com o objectivo de promover a integração de fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) e a criação de valor a longo prazo nos mercados de capitais.
Ao aderir a esta iniciativa, a Bolsa de Valores de Cabo Verde passa a integrar uma rede internacional de mais de 130 bolsas de valores que trabalham para alinhar os mercados de capitais aos objectivos do desenvolvimento sustentável.
Comentando o anúncio, o Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Cabo Verde diz que esta adesão reforça o compromisso com a promoção da transparência, da boa governação e do financiamento sustentável no nosso mercado.
“Esperamos trabalhar em estreita colaboração com a SSE e com os nossos pares a nível mundial para acelerar o desenvolvimento de oportunidades de financiamento e de investimento sustentáveis”, sublinha o Conselho de Administração da BVC, citado num comunicado a que a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA teve acesso.
Por meio da sua participação na UN SSE, a BVC promoverá maior sensibilização e adoção de práticas sustentáveis entre as empresas cotadas, apoiará iniciativas de reforço de capacidades para os participantes do mercado e participará no diálogo global sobre o papel dos mercados de capitais na promoção da sustentabilidade. A iniciativa proporciona igualmente uma plataforma para a partilha de boas práticas e a colaboração com bolsas congéneres em todo o mundo.
A decisão de aderir à UN SSE está alinhada com as prioridades nacionais de desenvolvimento de Cabo Verde e com o compromisso de Cabo Verde com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. A
o incentivar práticas de investimento sustentável, a BVC pretende reforçar a resiliência do mercado, atrair capital responsável e contribuir para um crescimento económico inclusivo e de longo prazo. Liderança da BVC no Financiamento Sustentável
A instituição diz que tem estado na linha da frente do financiamento sustentável em Cabo Verde, através da sua plataforma Blu-X, lançada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2021. A Blu-X tem como foco a admissão à cotação e a negociação de instrumentos financeiros sustentáveis e inclusivos.
A BVC facilitou a emissão e a admissão à cotação do primeiro blue bond do país, em Março de 2023, emitido pelo International Investment Bank (iib), que angariou com sucesso 3,5 milhões de dólares (350 milhões de escudos) para financiar projetos nos setores marítimo e das pescas sustentáveis.
A procura pelo título superou a oferta inicial, refletindo o forte interesse dos investidores por soluções de financiamento sustentável em Cabo Verde. Em Novembro de 2023, o blue bond do iib alcançou visibilidade internacional através de uma dupla cotação na Luxembourg Green Exchange (LGX), assinalando um marco importante na cooperação internacional em matéria de financiamento sustentável.
As receitas da obrigação têm sido utilizadas para conceder empréstimos acessíveis a microempreendedores e a pequenas e médias empresas (PME) em comunidades costeiras, apoiando o desenvolvimento económico inclusivo e meios de subsistência sustentáveis.
Anthony Miller, coordenador-chefe da Iniciativa das Bolsas de Valores Sustentáveis das Nações Unidas, saudou a participação da Bolsa de Valores de Cabo Verde. “É com satisfação que damos as boas-vindas à Bolsa de Valores de Cabo Verde à UN SSE”, disse.
“O compromisso da BVC com o reforço da transparência, da boa governança e do financiamento sustentável reflecte o crescente dinamismo em torno de mercados de capitais alinhados com a sustentabilidade em África e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. A sua participação contribuirá para o fortalecimento de sistemas financeiros inclusivos e resilientes que apoiem o desenvolvimento sustentável a longo prazo”, lê-se na nota.





