Um projecto de aquacultura destinado à produção de garoupa para exportação poderá vir a ser desenvolvido no Tarrafal de São Nicolau, em Cabo Verde, no quadro da estratégia nacional de reforço da economia azul.
A iniciativa foi apresentada pelo empresário Martin Falc durante um encontro realizado esta semana, no âmbito da visita oficial do primeiro-ministro, José Ulisses Correia e Silva, à ilha de São Nicolau.
O projecto prevê a produção da espécie conhecida como “garoupa merado”, também designada por garoupa brasileira, através de sistemas de aquacultura. O modelo de produção contempla a importação de juvenis — peixes em fase inicial de crescimento — que posteriormente serão engordados em unidades de aquacultura instaladas na ilha.
Após o período de crescimento, o pescado deverá ser destinado sobretudo aos mercados da Europa e do Médio Oriente, regiões onde, segundo o investidor, existe procura consolidada por este tipo de produto.
Natural da República Checa, Martin Falc explicou que a sua empresa, São Nicolau Diving, já se encontra oficialmente estabelecida em Cabo Verde e tem vindo a mobilizar parceiros internacionais para a concretização do projecto.
Entre os potenciais parceiros identificados pelo investidor encontram-se entidades da Noruega e do Brasil, países com forte tradição e experiência no sector da aquacultura.
Durante a apresentação, Falc destacou as condições naturais da ilha de São Nicolau como um dos principais factores de atracção para o investimento. Segundo o empresário, a qualidade das águas e as características da costa oferecem um ambiente particularmente favorável para a criação de garoupa em sistemas de produção controlada.
Governo vê potencial para reforçar a economia azul
O Governo cabo-verdiano manifestou abertura para apoiar o desenvolvimento da iniciativa, considerando que o projecto se enquadra nas prioridades nacionais para a economia do mar.
A reunião contou com a presença do ministro do Mar, Jorge Santos, e do ministro da Promoção Empresarial e Fomento do Investimento, Eurico Monteiro, que acompanharam a apresentação detalhada da proposta.
De acordo com comunicado oficial, consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, os governantes incentivaram o investidor a avançar com o projecto, sublinhando, contudo, que a iniciativa deverá cumprir integralmente a legislação cabo-verdiana aplicável ao sector.
O Executivo considera que o investimento poderá assumir interesse nacional, tendo em conta o potencial para gerar emprego local, estimular as exportações de pescado e reforçar o posicionamento de Cabo Verde no mercado internacional da aquacultura.
Num contexto de crescente procura global por produtos provenientes de aquacultura, iniciativas deste tipo são vistas como uma oportunidade para diversificar a economia e fortalecer a estratégia de desenvolvimento da economia azul no arquipélago.





