A cabo-verdiana recém-formada em cinema nos Estados Unidos, Cristina da Luz, de 23 anos, criou uma empresa de produção e está a gravar a curta-metragem “Maresia”, filme de terror psicológico, um género por explorar nas ilhas.
A produtora, segundo a autora, quer mergulhar em narrativas em que o terror esteja entrelaçado com o folclore africano.
“Sou cabo-verdiana, queria que o meu primeiro filme fosse em Cabo Verde e que contasse uma história com que as pessoas se identificassem, com o mar como pano de fundo, é a grande presença na nossa vida e decidi fazer um filme em que o mar também seja uma personagem”, conta Cristina.
O Atlântico une e divide, porque “muita gente tem um histórico de emigração”, saudade e distância, mas profissões como a pesca fazem-se no oceano, cuja costa e praias também juntam famílias e amigos em lazer.
No filme, o mar tem esse duplo sentido, com uma protagonista feminina a naufragar numa ilha deserta.
“Acho que o terror é tabu, em geral”, em Cabo Verde, diz Cristina da Luz, que faz questão de separar águas: há filmes com terror manchado de sangue e povoado por monstros e há o terror psicológico de “Maresia”.
“A parte mais assustadora do filme é ver como uma pessoa pode, em tão pouco tempo, ter uma decadência mental tão grande. O terror está mais nisso, o quão real e perto de nós esta história pode estar, porque pode acontecer com qualquer um”, descreve.
De acordo a Lusa, não foi fácil convencer os patrocinadores, mas os argumentos da criadora vingaram.
Cabo Verde e África, em geral, “têm muitas histórias que nos meios de comunicação tradicionais não conseguimos explorar, mas acho que o terror é um bom mecanismo para convidar audiências mundiais”, assinala Cristina.





