Cantor guineense Charbel lança “grito de socorro” e apelo à paz

O cantor guineense Charbel Pinto afirmou esta Terça-feira, 06, esperar que a Guiné-Bissau ultrapasse as "brigas entre irmãos", ao lançar a música "Dur" (dor, em português) escrita em criolo guineense, no dia do último golpe de Estado no país, que descreve como "grito de socorro" e apelo à paz. “A música relata que estamos cansados…
ebenhack/AP
“A música relata que estamos cansados de cair e levantar, de ver os irmãos a brigarem. Está na hora de nos abraçarmos e seguirmos em frente", disse o músico guineense Charbel Pinto.
Life

O cantor guineense Charbel Pinto afirmou esta Terça-feira, 06, esperar que a Guiné-Bissau ultrapasse as “brigas entre irmãos”, ao lançar a música “Dur” (dor, em português) escrita em criolo guineense, no dia do último golpe de Estado no país, que descreve como “grito de socorro” e apelo à paz.

“A música relata que estamos cansados de cair e levantar, de ver os irmãos a brigarem. Está na hora de nos abraçarmos e seguirmos em frente”, disse o músico, explicando que canta muito em crioulo de Cabo Verde porque ama a língua e acredita que a música não tem fronteiras. “Sinto que guineenses e cabo-verdianos são irmãos de luta e de sangue, graças ao nosso grande líder e pai, Amílcar Cabral”, referiu.

Charbel disse que o contexto político levou a abrir uma excepção no seu percurso artístico, cantando em crioulo da Guiné-Bissau e desviando-se da habitual temática romântica e festiva, dizendo que não pode “ver o país a sofrer” e ficar calado.

“Dur tinha de sair para acalmar as pessoas e tocar os seus corações”, explicou.

Segundo o cantor, a música não faz referências a partidos nem a figuras políticas, mas denuncia a realidade do país e defende a democracia. “É uma reflexão e apelo à paz. Não quero que ninguém a interprete como perseguição. Luto por um país democrático. Não podemos viver numa ditadura onde não se pode falar quando as coisas estão mal”, afirmou.

O videoclipe divulgado na Internet, diz a Lusa, aborda ainda desigualdades sociais e violência, com destaque para as más condições das infra-estruturas públicas.

“Mostrei escolas degradadas. Ter boas escolas e hospitais não é um favor, é uma obrigação”, disse, acrescentando que “as mães perdem os seus filhos nos hospitais com uma facilidade que não se vê noutros países”.

O músico alertou que além da mensagem no seu novo tema, para o desgaste da população e para a instabilidade económica, apontando o aumento dos preços dos bens essenciais.

“Sem estabilidade, a única grande fonte de riqueza do país, a castanha de caju, não atrai investimento estrangeiro”, referiu.

Desde o lançamento da música, a 19 de Dezembro, afirmou ter recebido mensagens de apoio, mas também críticas e ameaças. “Recebi muitas mensagens positivas e algumas negativas, de perseguição, com ameaças de violência”, disse o músico, apelando para que este seja um ano de paz e de calma, pois, os guineenses já sofrem muito.

Mais Artigos