Cheias travam pecuária em Moçambique e produção de carne bovina cai 22%

A produção de carne bovina em Moçambique caiu 22% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 3.611 toneladas. O recuo foi atribuído às cheias e inundações que afectaram várias regiões do país nos meses de Janeiro e Fevereiro, comprometendo a circulação de animais e o abastecimento dos…
ebenhack/AP
Apesar do crescimento global da produção de carne, impulsionado pela avicultura, o sector bovino moçambicano enfrentou fortes constrangimentos causados pelas inundações e restrições sanitárias, segundo relatório do Governo.
Economia

A produção de carne bovina em Moçambique caiu 22% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 3.611 toneladas. O recuo foi atribuído às cheias e inundações que afectaram várias regiões do país nos meses de Janeiro e Fevereiro, comprometendo a circulação de animais e o abastecimento dos principais centros de abate e comercialização.

Os dados constam de um relatório de execução do Governo moçambicano, que revela, contudo, um crescimento global de 5% na produção de carne, para 34.716 toneladas nos primeiros três meses do ano. Ainda assim, este volume representa apenas 16% da meta anual estabelecida pelas autoridades.

O desempenho positivo do sector foi sustentado sobretudo pela produção de carne de frango, que cresceu 9% em termos homólogos, atingindo 29.023 toneladas e compensando parcialmente as perdas registadas na actividade pecuária bovina.

Segundo o relatório, citado pela Lusa, as cheias tornaram intransitáveis várias vias de acesso entre as zonas de criação e os principais mercados consumidores, com especial incidência na Cidade de Maputo, Província de Maputo e Gaza, regiões que figuram entre os maiores polos de produção pecuária do país.

Além dos efeitos climáticos, o documento aponta a restrição da movimentação de animais devido a surtos de doenças como outro factor que condicionou a actividade pecuária durante o período em análise.

O desempenho do sector evidencia os desafios estruturais que continuam a afectar a agropecuária moçambicana, particularmente a sua elevada exposição a fenómenos climáticos extremos. As cheias que marcaram o início do ano provocaram perdas significativas entre os criadores de gado, levando organizações do sector a solicitar ao Governo, em Fevereiro, a implementação de um programa de repovoamento animal para recuperar os efectivos afectados e evitar impactos mais profundos na segurança alimentar das comunidades rurais.

Apesar das dificuldades registadas na produção, o efectivo pecuário manteve uma trajectória de crescimento. No final de Março, Moçambique contabilizava 2.583.034 bovinos, um aumento de 5% face ao período homólogo, enquanto o número de galinhas atingiu 21.272.264 aves, representando uma subida de 7%.

Os números sugerem que, embora a capacidade produtiva tenha sido temporariamente afectada por factores climáticos e sanitários, o sector continua a expandir a sua base pecuária. O desafio para os próximos meses passará por transformar esse crescimento do efectivo em produção efectiva, num contexto em que as alterações climáticas aumentam a pressão sobre a resiliência da agricultura e da pecuária em Moçambique.

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