Os bancos centrais podem administrar as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) procurando manter um nível que garanta uma protecção e funcione como um amortizador em situações de necessidade urgente de liquidez, defende a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), no seu mais recente relatório semestral sobre macroeconomia e mercados relativo ao segundo semestre de 2020.
O documento, disponibilizado no website da instituição, sugere algumas medidas que podem concorrer para uma melhor gestão das RIL, sobretudo em cenários de crise. Entre as medidas sugeridas pela CMC para evitar desequilíbrios na Balança de pagamentos, consta a adopção de linhas de swaps de divisas, que consiste num acordo de troca de moedas entre dois bancos centrais.
Esta medida, explica o relatório, permite a um banco central, no caso o Banco Nacional de Angola (BNA), obter liquidez em moeda estrangeira, junto de instituições congéneres, geralmente com o objectivo de fornecer fundos em divisas aos bancos comerciais do respectivo país.
A CMC no seu report sobre macroeconomia e mercados considera que este mecanismo, apesar de ter sido inicialmente utilizado pelos bancos centrais para financiar determinadas intervenções no mercado, nos últimos anos, tornou-se num instrumento importante para preservar a estabilidade financeira e evitar que tensões no mercado afetem a economia real.
“Num contexto de crise cambial, a capacidade dos bancos comerciais de financiar os activos que detêm em moeda estrangeira diminui ou até mesmo se esgota, dado que não têm acesso directo ao banco central estrangeiro que a emite”, lê-se no documento, que acrescenta que se o respectivo banco central nacional tiver uma linha de Swaps com um banco central estrangeiro, o primeiro pode proporcionar aos bancos comerciais do respectivo país a liquidez necessária, sem ter de recorrer às suas reservas em moeda estrangeira.
Outros mecanismos sugeridos no relatório da CMC são a canalização de alguma parte das reservas internacionais para o Fundo Soberano do país, bem como a criação de um fundo de partilha de reservas a nível de uma integração regional, que para Angola pode ser a região da SADC.