Os bancos comerciais angolanos compraram, no primeiro semestre deste ano, um total de divisas no montante de 6,8 mil milhões de dólares, um aumento de 30,9% comparativamente ao semestre anterior, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA).
No relatório sobre a “Evolução do Mercado Cambial”, de Janeiro a Junho de 2022, publicado recentemente e consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a entidade reguladora do sistema bancário angolano descreve que, do montante adquirido, 2,2 mil milhões de dólares são provenientes do sector petrolífero, 2,1 mil milhões de dólares do Tesouro Nacional, 723,0 milhões de dólares do sector diamantífero e 513,8 milhões de dólares do BNA.
“A maior disponibilidade de moeda estrangeira no mercado cambial foi impulsionada pelo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais e consequente aumento das receitas de exportação, bem como da captação de recursos provenientes de financiamentos externos”, lê-se no relatório, que realça ainda que “os bancos adquiriram moeda suficiente para atender as necessidades do mercado, tendo-se observado, no geral, que a oferta foi capaz de cobrir a procura, o que concorreu para a apreciação da moeda nacional”.
No documento o banco central angolano explica que a taxa de câmbio do kwanza em relação ao dólar norte-americano e ao Euro fixou-se, no final de Junho, em “USD/AOA 428,2” e “EUR/AOA 446,1”, representando uma apreciação acumulada de 29,61% e 40,99%, respectivamente, mantendo assim a moeda nacional, kwanza, a sua “tendência de apreciação”.
Quanto ao desempenho da conta corrente no primeiro trimestre de 2022, o relatório refere que foi superavitária em 4,7 mil milhões de dólares, contra os 2,9 mil milhões de dólares do trimestre anterior, correspondendo a 18,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
“O desempenho positivo da conta corrente deveu-se ao aumento das exportações em 25,3% em relação ao trimestre anterior, não obstante o aumento das importações em 16,1%, observado em todas as principais categorias de bens, com realce aos combustíveis e produtos químicos”, avança o BNA.
RIL registam queda ligeira
Por sua vez, as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) registaram uma variação negativa até o mês de Junho deste ano, saindo de 15,5 mil milhões de dólares em 2021, suficientes para cobrir cerca de oito meses de importações de bens e serviços, para 14,3 mil milhões de dólares em 2022. O BNA atribui, no entanto o desempenho das RIL à revisão metodológica, com efeitos a partir de Janeiro de 2022, tendo em conta a exclusão dos títulos colaterizados em operações de financiamento ao BNA (Repo) e os depósitos do Tesouro Nacional em moeda estrangeira no apuramento das reservas internacionais.
Apesar dos riscos associados a choques externos, o Banco Nacional de Angola perspectiva, até ao final do corrente ano, “um funcionamento normal do mercado cambial” e espera que a taxa de câmbio continue a reflectir a interacção entre a procura e a oferta de moeda estrangeira, bem como a “orientação da política monetária”, no que a liquidez em moeda nacional diz respeito, com vista a assegurar a estabilidade de preços.





