Congresso dos cozinheiros com conexão africana arrancou em Portugal

O Congresso dos Cozinheiros volta a ocupar, desde este Domingo, 25, os Nirvana Studios, em Oeiras, para dois dias recheados de apresentações, degustações e música. O mote são as ligações africanas e África é o fio condutor para um cartaz com alguns dos nomes mais sonantes e que marcam, pela primeira vez, presença em Portugal.…
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Arrancou neste Domingo, em Oeiras, o Congresso dos Cozinheiros. É o regresso de um evento em que a conexão africana será o denominador comum. O cartaz conta com alguns dos nomes sonantes do sector.
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O Congresso dos Cozinheiros volta a ocupar, desde este Domingo, 25, os Nirvana Studios, em Oeiras, para dois dias recheados de apresentações, degustações e música. O mote são as ligações africanas e África é o fio condutor para um cartaz com alguns dos nomes mais sonantes e que marcam, pela primeira vez, presença em Portugal.

“Uma oportunidade para aprender mais sobre a influência da cultura africana na gastronomia portuguesa, com especial destaque para os PALOP”, realça uma nota a que a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA teve acesso.

De Angola, vai está presente Helt Araújo, chefe de cozinha do restaurante Flor do Duque de Luanda, natural de Benguela. No seu percurso profissional, passou por vários restaurantes, em Espanha e Portugal, do qual se destaca o mítico el Bulli e o Fortaleza do Guincho. Em 2015, foi distinguido em França com o Prémio Nacional de Gastronomia, na categoria “Chef do Futuro”. Já participou em algumas aberturas onde se destaca o Xe Nú By Vestigius, de Luanda.

Cabo Verde está representado pelo conceituado chefe de cozinha Vladimir Veiga que é, há largos anos, o homem de confiança do chefe Sergi Arola, no restaurante LAB, que conta com uma estrela Michelin, no Hotel Penha Longa. Antes disso, trabalhou com chefes como Dieter Koschina, no Vila Joya, e Vincent Farges, na Fortaleza do Guincho.

De Moçambique participa a cozinheira, empreendedora, mãe, da região de Nampula, onde viveu até aos 22 anos. O seu caminho cruzou-se com Khalid Aziz, com quem se casou. Viveu em Inglaterra, mas, em 2013, chegou a Portugal, onde começou a trabalhar no restaurante da família de Khalid, o famoso Cantinho do Aziz, em Lisboa.

Apaixonada pelos sabores tradicionais moçambicanos, reuniu, num livro, as receitas mais carismáticas do restaurante, cujos sabores apresentou em restaurantes pop-up em Nova Iorque e também no Cantinho do Aziz, em Leeds. Foi a primeira chefe moçambicana convidada a cozinhar na James Beard Foundation, dando a conhecer os sabores da cozinha tradicional africana. Em 2021, estreou uma série documental na Amazon Prime, onde apresenta as suas viagens pelo mundo, com destaque para os sabores e convidados de raiz africana e portuguesa.

Já de São Tomé e Príncipe, está presente João Carlos Silva, chefe de cozinha na Roça São João dos Angolares e se tornou conhecido pela realização de um programa na RTP. Nasceu em Angolares, em São Tomé e Príncipe, em 1956. Estudou em São Tomé e Príncipe, Angola e Portugal, onde frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Exerceu jornalismo, tendo como artista plástico, iniciado as suas actividades em Lisboa.

João Carlos Silva fundou o CIAC e o Espaço Teia d’Arte (artes plásticas, teatro, dança, debates, oficina de letras, ateliers infantis, cine-clube) em São Tomé e Príncipe. Participou em várias exposições colectivas de artes plásticas em São Tomé e Príncipe e no estrangeiro. Dirige o Projecto Integrado de Desenvolvimento da Roça S. João (agricultura, pecuária, educação não-formal, ambiente, património, cultura e turismo) e é o coordenador da Bienal de Artes e Cultura de São Tomé e Príncipe.

Outro chefe de cozinha em destaque é Viriato Pã, um afro-lusitano, nascido e criado em Lisboa. É filho de guineenses de Bissau. Cresceu entre duas culturas: em casa, a da família, com a influência africana. Fora de casa, os colégios e os amigos contribuíram com uma influência mais portuguesa. A herança africana vem sendo diluída pelo amor gastronómico global, mas ressurgiu com a redescoberta de ingredientes do seu passado.

Tornou-se conhecido do grande público após ter participado no programa Masterchef. Seguiu-se a apresentação do programa Prato do Dia, no 24Kitchen. É autor do livro Cozinha Africana, distinguido com o prémio Gourmand World Cook Book, em 2019.

Debates e música no congresso

O Congresso dos Cozinheiros vai ser marcado também por debates, demonstrações de cozinha e a participação de outros eventos, como música, arte, artesanato e conexões entre os diversos intérpretes ligados ou não à gastronomia.

Aberto ao grande público, o certame é o evento nacional que reúne anualmente todos os profissionais e amantes da cozinha, num ambiente descontraído.

Fundado em 2005, o evento nasceu com a pretensão de ser uma plataforma de partilha entre a geração emergente com os consagrados e os outros que, mais tarde, viriam a ter o lugar na culinária profissional. Às Edições do Gosto e à Inter Magazine coube o papel de, em parceria com a ACPP e um conjunto de marcas, organizar este evento em Portugal.

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