Cooperação Angola-BAD movimenta cerca de 1,1 mil milhões de dólares numa década

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) concluiu, entre 2016 e 2025, 11 projectos em Angola, avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares, com intervenções nos sectores da energia, agricultura, água e saneamento, ambiente, governação e reforço institucional. Os dados foram apresentados pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, durante o acto…
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No sector energético, por exemplo, os investimentos apoiados pelo BAD contribuíram para que cerca de 1,3 milhões de pessoas passassem a ter acesso à electricidade, além do reforço das capacidades nacionais de geração, transmissão e distribuição.
Economia

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) concluiu, entre 2016 e 2025, 11 projectos em Angola, avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares, com intervenções nos sectores da energia, agricultura, água e saneamento, ambiente, governação e reforço institucional.

Os dados foram apresentados pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, durante o acto de lançamento oficial da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento do País (CDER) – Angola 2016-2025, realizado no Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda (Luanda TEC).

Na ocasião, Luís Epalanga, que representou o Ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, destacou que a avaliação constitui uma oportunidade para analisar os resultados de uma década de cooperação entre Angola e o Banco Africano de Desenvolvimento e identificar os desafios para a próxima fase da parceria.

Segundo Luís Epalanga, Angola é membro do BAD desde 1980 e, entre 2000 e 2025, os compromissos financeiros acumulados da instituição no país atingiram aproximadamente 3 mil milhões de dólares, dos quais cerca de 2,9 mil milhões de dólares foram aprovados entre 2013 e 2025.

Energia beneficia 1,3 milhões de pessoas

No sector energético, os investimentos apoiados pelo BAD contribuíram para que cerca de 1,3 milhões de pessoas passassem a ter acesso à electricidade, além do reforço das capacidades nacionais de geração, transmissão e distribuição.

Para Luís Epalanga, os resultados devem ser analisados não apenas em termos financeiros, mas também pelo impacto directo na vida das populações.

“No desenvolvimento, os números são importantes. Permitem-nos medir o caminho percorrido e avaliar os resultados alcançados. Mais importante, porém, é aquilo que representam na vida das pessoas”, afirmou.

Água e saneamento

No domínio da água e saneamento, aproximadamente 550 mil pessoas passaram a beneficiar de acesso novo ou melhorado à água potável, enquanto cerca de 30 mil pessoas beneficiaram de melhores condições de saneamento.

De acordo com o responsável, estes investimentos têm impacto directo na qualidade de vida, saúde e bem-estar das famílias.

A intervenção do BAD ocorre num contexto de forte crescimento demográfico. Dados do Censo 2024, citados pelo Secretário de Estado, apontam para uma população de cerca de 36,6 milhões de habitantes, sendo que 62% têm menos de 25 anos.

Para o governante, esta estrutura demográfica representa simultaneamente uma oportunidade e uma exigência para o Estado, sobretudo nos sectores da educação, formação profissional, emprego, serviços básicos e criação de oportunidades económicas.

Agricultura beneficia 50 mil agricultores

Na agricultura, cerca de 50 mil agricultores adoptaram tecnologias mais produtivas e resilientes às alterações climáticas, com efeitos na capacidade produtiva, segurança alimentar e melhoria dos rendimentos das famílias rurais.

Em Cabinda, foram concedidos aproximadamente 1,98 milhões de dólares em microcrédito a 3.714 beneficiários, dos quais 2.283 são mulheres.

A intervenção incluiu igualmente a reabilitação de estradas rurais, com o objectivo de melhorar a ligação entre as zonas de produção e os mercados e facilitar o escoamento dos produtos agrícolas.

Diversificação económica e reformas institucionais

O secretário de Estado destacou ainda o Programa de Apoio à Diversificação Económica, avaliado em 165 milhões de dólares, que apoiou reformas relacionadas com a gestão do investimento público, administração fiscal digital, contratação pública e Parcerias Público-Privadas.

Durante a implementação do programa, as receitas fiscais não petrolíferas aumentaram de 6,5% para 8,2% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados apresentados pelo governante.

Luís Epalanga defendeu que os resultados dos financiamentos tendem a produzir efeitos mais duradouros quando acompanhados por reformas, conhecimento, capacitação institucional e orientação para resultados.

Mais de 460 milhões de dólares em projectos em curso

Entre os projectos actualmente em curso, o responsável destacou o Projecto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Agrícolas da Região Leste, avaliado em 211,4 milhões de dólares; o Projecto Emprego para os Jovens – Crescer, no valor de 125 milhões de dólares; e o Projecto de Saneamento Inclusivo das Cidades Costeiras, avaliado em 124,4 milhões de dólares.

Em conjunto, estes três projectos representam cerca de 460,8 milhões de dólares.

A carteira inclui ainda iniciativas ligadas ao desenvolvimento económico do Corredor do Lobito, bem como novas operações nos sectores da energia e do financiamento às pequenas e médias empresas.

Para o Secretário de Estado, a nova etapa da cooperação deverá privilegiar uma abordagem integrada, ligando a produção agrícola aos mercados, as infra-estruturas à actividade produtiva, a formação ao emprego e os grandes corredores económicos às oportunidades para empresas e populações.

Governo quer ampliar impacto da parceria

Luís Epalanga afirmou que o Executivo pretende continuar a trabalhar com o Banco Africano de Desenvolvimento e outros parceiros de desenvolvimento para consolidar os resultados alcançados e ampliar o impacto dos investimentos.

A próxima fase da cooperação deverá estar alinhada com as prioridades definidas na Estratégia de Longo Prazo Angola 2050 e no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, com enfoque na diversificação económica, desenvolvimento do capital humano e sustentabilidade.

“O desafio que se coloca agora é transformar estes ganhos em escala, ampliar o seu impacto e assegurar a sua sustentabilidade”, afirmou.

O responsável defendeu, por outro lado, que a revisão da eficácia do desenvolvimento permitirá identificar os resultados alcançados ao longo da última década e definir as áreas que deverão receber maior atenção nos próximos anos.

A avaliação pretende, assim, servir de base para uma parceria mais orientada para resultados, escala, sustentabilidade e impacto efectivo na vida das populações angolanas.

 

 

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