O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê uma desaceleração do crescimento económico africano para a fasquia dos 4% em 2026, alertando que as tensões no Médio Oriente estão a aumentar os riscos para a estabilidade macroeconómica do continente, sobretudo através da pressão sobre os preços da energia, dos fertilizantes e das cadeias globais de abastecimento.
No relatório “Perspectivas Económicas de África 2026: Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”, a instituição estima uma expansão económica de 4,2% este ano e uma recuperação para 4,4% em 2027, caso a crise geopolítica seja contida nos próximos meses.
Contudo, o banco avisa que um prolongamento das tensões poderá reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto real africano para cerca de 4% em 2026, abaixo do desempenho registado no ano anterior.
“O impacto pode ser maior caso o conflito se prolongue e passem três a seis meses até uma desescalada gradual das tensões”, refere o relatório.
Segundo o BAD, o continente continua particularmente vulnerável aos choques externos devido à forte dependência das importações energéticas, dos fertilizantes e das cadeias logísticas internacionais.
O aumento dos preços do petróleo e do gás deverá também manter a inflação elevada em várias economias africanas, com o banco a prever uma taxa média de 10,4% em 2026, antes de uma desaceleração para 8,9% em 2027.
A instituição considera que a subida dos custos energéticos terá impacto directo nos transportes, na produção agrícola e na capacidade dos Governos para proteger as famílias de baixos rendimentos.
Apesar disso, o relatório sublinha que a economia africana continua a demonstrar resiliência e deverá crescer acima de várias regiões do mundo, ainda que sob crescente pressão geopolítica e financeira.
O BAD alerta igualmente para os elevados níveis de desigualdade no continente, indicando que os 10% mais ricos da população concentram entre 40% e 65% do rendimento total, enquanto os 50% mais pobres recebem apenas entre 10% e 15%.
A instituição defende que a redução das vulnerabilidades estruturais será decisiva para minimizar os impactos sociais e económicos da actual conjuntura internacional.
Entre as prioridades apontadas estão a diversificação produtiva, a utilização mais eficiente dos recursos internos e a canalização estratégica das receitas extraordinárias provenientes do petróleo e das matérias-primas.
Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, estas medidas serão fundamentais para permitir que África atravesse 2026 com menor exposição aos choques externos e menores custos sociais.





