CV Sky arranca a 29 de março com promessa de reforçar ligações entre ilhas

Criada ao abrigo do Decreto-Lei n.º 46/2024, de 6 de setembro, a Linhas Aéreas de Cabo Verde é a nova companhia aérea estatal dedicada exclusivamente às ligações domésticas interilhas. A decisão marca a separação entre operações internas e internacionais, ficando a Cabo Verde Airlines responsável pelas rotas externas, enquanto a nova empresa assume o transporte…
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Nova companhia aérea estatal caboverdiana dedicada aos voos domésticos inicia operação com duas aeronaves ATR e prevê mais de uma centena de voos semanais. Uma posta na mobilidade e coesão territorial.
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Criada ao abrigo do Decreto-Lei n.º 46/2024, de 6 de setembro, a Linhas Aéreas de Cabo Verde é a nova companhia aérea estatal dedicada exclusivamente às ligações domésticas interilhas. A decisão marca a separação entre operações internas e internacionais, ficando a Cabo Verde Airlines responsável pelas rotas externas, enquanto a nova empresa assume o transporte entre as ilhas.

CV Sky é a marca comercial que, a partir de 29 de março, passará a assegurar estas ligações, com duas aeronaves ATR 72-600 e uma previsão de cerca de 159 voos semanais. A ambição passa por reforçar progressivamente a capacidade operacional, estando já em curso o processo para aquisição de mais aparelhos.

A nova identidade foi apresentada esta manhã no Parque Tecnológico de Cabo Verde, na cidade da Praia, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva. O chefe do Governo sublinhou a importância estratégica da companhia, considerando-a “essencial para a coesão territorial, mobilidade dos cidadãos e desenvolvimento económico” do país.

Numa intervenção marcada pelo contexto do setor, o governante recordou as várias mudanças de operadores no transporte aéreo interilhas, destacando, contudo, a continuidade do serviço ao longo dos anos. “De companhia em companhia, fomos assegurando aquilo que é essencial, que é garantir serviço aos clientes, aos utentes e manter as ligações”, afirmou.

Após a saída da TICV, detida pela angolana Bestfly, que sucedera à Binter, as ligações interilhas passaram a ser asseguradas pela Cabo Verde Airlines, numa solução transitória até à criação da nova transportadora, formalizada em setembro de 2024.

A criação de uma companhia dedicada exclusivamente ao mercado doméstico é vista pelo Executivo como uma resposta a uma necessidade estrutural do país, onde a conectividade aérea assume um papel central na integração económica e social do arquipélago. O Governo defende, aliás, a manutenção de políticas públicas que garantam frequências mínimas e tarifas acessíveis, incluindo a subsidiação de rotas menos rentáveis, para assegurar ligações regulares a todas as ilhas com aeroporto.

Num contexto de crescimento do turismo e maior mobilidade da diáspora, a pressão sobre o sistema de transporte interno tem vindo a aumentar, exigindo maior articulação entre voos internacionais e domésticos. O objetivo, segundo o Governo, passa agora por estabilizar a operação e responder à procura com maior regularidade e qualidade de serviço.

Também o administrador da Linhas Aéreas de Cabo Verde, Manuel Lima, destacou o caráter estratégico do projeto, sublinhando que a CV Sky foi concebida para ser uma empresa “sólida, fiável e sustentável”, capaz de acompanhar a evolução do mercado. Sob o lema “Liga nós ilha, uni nós povo”, a companhia encontra-se numa fase de transição operacional, devendo assumir plenamente as operações no final de março.

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