Daniel Chapo viajou à África do Sul para “travar” escalada de tensão contra migrantes

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se nesta Terça-feira à África do Sul para discutir com o seu homólogo Cyril Ramaphosa mecanismos de resposta à crescente tensão social e a recentes actos de violência contra cidadãos estrangeiros, num esforço diplomático centrado na preservação da estabilidade regional e da convivência entre comunidades migrantes e locais. A visita,…
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O Presidente de Moçambique deslocou-se hoje a Pretória para discutir respostas diplomáticas à violência contra migrantes na África do Sul, país que alberca cerca de 30 mil moçambicanos.
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O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se nesta Terça-feira à África do Sul para discutir com o seu homólogo Cyril Ramaphosa mecanismos de resposta à crescente tensão social e a recentes actos de violência contra cidadãos estrangeiros, num esforço diplomático centrado na preservação da estabilidade regional e da convivência entre comunidades migrantes e locais.

A visita, segundo sublinhou o Governo de Moçambique, tem como objectivo principal avaliar a actual situação e identificar soluções que assegurem uma convivência pacífica entre os povos dos dois países. Em paralelo, as autoridades de Maputo garantem que não está em curso qualquer plano para encerrar representações diplomáticas em território sul-africano, afastando cenários de escalada institucional.

A deslocação ocorre num contexto de aumento de tensões sociais na África do Sul, onde manifestações anti-imigração têm resultado em episódios de violência contra negócios e comunidades estrangeiras, particularmente na província do Cabo Oriental. Estes incidentes reacendem um padrão de instabilidade já registado em anos anteriores, com impactos directos sobre fluxos migratórios e segurança regional.

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso, afirmou em Maputo que os dois governos mantêm contactos regulares com vista à contenção dos impactos da situação. Segundo a responsável, o Executivo moçambicano está a reforçar mecanismos de apoio na fronteira de Ressano Garcia, principal ponto de entrada entre os dois países, para acolher cidadãos que optem pelo regresso por razões de segurança.

Com cerca de 30.000 moçambicanos residentes na África do Sul, o Governo reconhece um clima de incerteza e apreensão entre a comunidade emigrante, embora não existam, até ao momento, registos de mortos ou feridos em resultado directo dos recentes ataques.

“Moçambique não tem nenhum plano de encerramento de embaixadas. A solução passa pelo diálogo”, afirmou Maria Manso, citada pela Lusa, reiterando que a via diplomática é considerada a mais eficaz para a gestão da crise e para a preservação das relações históricas de cooperação entre os dois países.

O apelo ao diálogo tem sido reforçado por várias instituições moçambicanas, incluindo o partido no poder, a FRELIMO, que destacou a importância da solidariedade africana e do respeito mútuo num contexto de integração regional crescente.

A embaixadora moçambicana em Pretória também apelou à calma, recomendando aos cidadãos que evitem zonas de risco e mantenham contacto com as autoridades consulares, enquanto acompanham as orientações das comunidades locais e representações diplomáticas.

A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba ao longo da última década, com destaque para os incidentes de 2019, que resultaram em vítimas mortais e danos significativos a comunidades estrangeiras, segundo organizações internacionais de direitos humanos.

A deslocação de Daniel Chapo assume-se como um teste à capacidade diplomática dos dois países em conter tensões e preservar uma relação marcada por interdependência económica, histórica e laboral.

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