A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A posse ocorreu em sessão da Assembleia Nacional, que reconheceu oficialmente Rodríguez como chefe do Executivo.
Em discurso, Delcy afirmou assumir o cargo em meio a um cenário de crise. “Estou aqui com tristeza pelo rapto de dois heróis que estão reféns nos Estados Unidos. Tenho também a honra de prestar juramento em nome de todos os venezuelanos”, declarou.
A nomeação foi determinada pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, que indicou Delcy Rodríguez para exercer a Presidência por um mandato renovável de 90 dias, com o objectivo de garantir a continuidade administrativa do país.
Delcy Rodríguez tornou-se, assim, a primeira mulher a comandar o Executivo venezuelano, exigindo a libertação imediata de Nicolás Maduro, a quem chamou de “o único presidente legítimo da Venezuela”, e classificou a ação militar norte-americana como uma violação da soberania nacional.
As Forças Armadas e o Parlamento venezuelano também reconheceram a nova presidente interina. Maduro seguirá preso enquanto aguarda julgamento pelos crimes de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.
Recorde-se que no Sábado, os Estados Unidos anunciaram uma operação militar de grande escala na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. Horas depois, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou, em colectiva de imprensa, que Washington passaria a governar o país até a conclusão de uma transição de poder.
Trajectória política e formação
Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 56 anos, nasceu em Caracas e é considerada um quadro histórico do chavismo. Formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela, possui pós-graduação em Direito Social pela Universidade de Paris e mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres.
Foi escolhida por Maduro para a vice-presidência em 2018. Diferentemente do Brasil, na Venezuela o vice-presidente não é eleito em chapa, sendo indicado directamente pelo presidente, que pode substituí-lo a qualquer momento.
Além da vice-presidência, Delcy acumulava os cargos de ministra da Economia e presidente da PDVSA, a estatal de petróleo do país. A nova Presidente assumiu o comando da empresa em 2024, após a prisão de parte da diretoria acusada de corrupção.
Delcy Rodríguez é filha de Jorge Antonio Rodríguez, militante marxista torturado e morto em 1976 pela extinta Direcção de Serviços de Inteligência Policial (DISIP), durante o período do acordo político conhecido como Punto Fijo, que governou a Venezuela entre 1958 e 1998 com apoio dos Estados Unidos.
Delcy ocupou diversos cargos ao longo dos governos chavistas. Foi chefe de gabinete de Hugo Chávez em 2006, ministra da Comunicação em 2013, chanceler da Venezuela entre 2014 e 2017 e presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 2017 a 2018.
Como ministra das Relações Exteriores, liderou a saída da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o então secretário-geral Luis Almagro de atuar em alinhamento com os Estados Unidos para desestabilizar o país.
Em 2018, assumiu a vice-presidência. Em 2024, passou a comandar a política económica e o sector petrolífero, tornando-se também alvo de sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia.





