Designer de interiores angolana obtém “20 valores” em dissertação de mestrado em Portugal

A designer de interiores, ilustradora e youtuber angolana, Inês Micaiela Alfredo, concluiu o seu mestrado em arquitectura na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, tendo obtido a nota máxima de “20 valores”. Com desejo de contribuir para o desenvolvimento e preservação da cultura angolana, Inês Micaiela Alfredo decidiu abordar a “Arquitectura Vernácula Comunitarismo…
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Inês Micaiela Alfredo concluiu o seu mestrado em arquitectura na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, tendo obtido a nota máxima de 20 valores.
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A designer de interiores, ilustradora e youtuber angolana, Inês Micaiela Alfredo, concluiu o seu mestrado em arquitectura na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, tendo obtido a nota máxima de “20 valores”.

Com desejo de contribuir para o desenvolvimento e preservação da cultura angolana, Inês Micaiela Alfredo decidiu abordar a “Arquitectura Vernácula Comunitarismo em Angol: Projecto de um Ondjango para a Aldeia Camela Amões”.

Este resultado positivo demonstra que a sua trajectória académica e profissional é reflexo e um compromisso com a excelência, aprendizagem contínua e paixão pela arquitetura e design.

Em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, Inês Micaiela Alfredo, explicou que o tema promove uma rica interdisciplinaridade e abre novas perspectivas, ao integrar disciplinas como arquitetura, antropologia, história e estudos ambientais, estabelecendo um campo fértil para a exploração e contribuição académica e governamental.

“O Projecto Integrado Aldeia Camela Amões (PIACA) é uma iniciativa ambiciosa que visa transformar a aldeia de Camela Amões e suas vizinhanças, abordando múltiplas facetas da vida comunitária – desde a habitação e economia até a infra-estrutura, sustentabilidade e preservação cultural”, considera.

A aldeia de Camela Amões, continuou, destaca-se pela sua abordagem holística, integrando os habitantes de diferentes aldeias circundantes em um esforço colectivo para melhorar as condições de vida e promover o desenvolvimento sustentável da região.

“Através da construção de novas habitações que incorporam sistemas de energia solar e são projetadas para maximizar a ventilação e a luz natural, o PIACA demonstra um compromisso com a sustentabilidade. Essas novas moradias substituem construções tradicionais e precárias, oferecendo melhores condições de vida e espaços ampliados. A ênfase na agricultura local e na produção de materiais de construção locais, como os bloquetes, não fomentam a economia local e também promove práticas de construção ambientalmente responsáveis”, argumentou.

No entanto, diz que o PIACA enfrenta desafios, descrevendo que a modernização pode ameaçar a identidade cultural e tradicional da região, enquanto as mudanças na disposição das casas e no espaço urbano podem afectar a dinâmica comunitária.

“Questões de sustentabilidade, como a gestão de recursos naturais e o desmatamento, bem como desafios administrativos e a resistência à mudança, são preocupações que exigem atenção cuidadosa. O projecto representa um esforço notável para melhorar a qualidade de vida dos habitantes da região, incorporando desenvolvimento sustentável e participação comunitária”, considera.

A chave para o sucesso contínuo do PIACA, afirma, será sua capacidade de adaptar-se e responder às necessidades constantes de mudança da população, assegurando que o progresso seja sustentável, inclusivo e respeitoso com o património cultural da região.

“A temática actua como um veículo para a preservação do património cultural angolano, incentivando um olhar crítico sobre a importância de proteger e promover as identidades culturais frente à globalização e à homogeneização cultural. Em suma, além do desafio académico, tive como objectivo o sentido de orgulho e pertença nacional, destacando a necessidade de um desenvolvimento que seja fiel às raízes e valores angolanos”, justificou.

“Acredito que este tema tem o potencial de transformar a compreensão e apreciação do património cultural e arquitectónico de Angola”, sustentou.

Inês Micaiela Alfredo ressalta que apesar do trabalho ser focado na aldeia Camela Amões, há margens para a implementação dessas estratégias em várias aldeias.

Ao explorar as características urbanísticas e arquitetónicas desta aldeia, assim como o impacto das estratégias de requalificação implementadas, a estudante angolana enfatizou que “quis destacar a importância de uma arquitetura e planeamento urbano que honrem e espelhem as necessidades, valores e tradições locais”.

“Assim como pude perceber as alterações físicas e estruturais e entender como estas influenciam na interacção social, cultural e o estilo de vida dos residentes, gostaria que outras pessoas também tivessem essa percepção. O desenvolvimento de um projecto arquitectónico focado em fortalecer o comunitarismo e impulsionar um desenvolvimento urbano sustentável em Camela Amões pode servir de exemplo para outras comunidades em Angola, mostrando como progresso e tradição podem coexistir harmoniosamente”, acrescentou.

Ao consolidar informações sobre a cultura do ondjango e outras práticas culturais que moldam a vida social em aldeias angolanas, segundo prossegue, o projecto contribui para a conservação do património cultural, mas também para o seu reconhecimento e valorização em esferas académicas e governamentais.

“Assim sendo, espero também que o meu trabalho promova soluções arquitectónicas sustentáveis que respeitem tanto a cultura local quanto o meio ambiente. O que pode ter implicações práticas para o desenvolvimento urbano e rural em Angola e em contextos similares, contribuindo para o bem-estar e a coesão social das aldeias angolanas e promover a valorização do comunitarismo”, concluiu.

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