A economia angolana vai ter dificuldades de crescer acima dos 3,5% até 2030, avançou esta Sexta-feira, 20, em Luanda, o director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC).
Alves da Rocha falava no final da apresentação dos “Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza”.
“Se o crescimento da taxa demográfica for 13,5%, significa que não haverá margem para que haja melhoria das condições de vida da população”, disse o responsável, afirmando que não é impossível a economia crescer a 8,5%.
Ainda que haja crescimento económico, de acordo com o investigador, se houver uma alteração do modelo de redistribuição do rendimento, tornando mais inclusivo, não haverá redução da pobreza.
No documento, o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica aponta que para Angola alcançar um crescimento económico sustentável até 2030, é essencial que avance com uma estratégia clara e coerente de diversificação da sua economia.
O estudo sugere o reforço dos sectores não petrolíferos, nomeadamente a agricultura, as pescas, a indústria transformador, os transportes e outros serviços derivados que devem ser uma prioridade estratégica.
“Estes sectores não só possuem elevado potencial produtivo, como também são intensivos em mão de obra, podendo contribuir decisivamente para a criação de emprego formal e sustentável”.
Segundo o estudo da Universidade Católica, a implementação eficaz dos planos governamentais como o Plano Nacional de Fomento para a Produção de Grãos (PLANAGRÃO), Plano Nacional de Fomento e de Desenvolvimento da Pecuária (PLANAPECUÁRIA) e o Plano Nacional de Fomento das Pescas (PLANAPESCAS) poderá acelerar esse processo, desde que acompanhada por investimentos públicos consistentes, políticas de apoio à produção nacional, incentivos fiscais e mecanismos de monitorização e avaliação que assegurem a sua execução.
Paralelamente, considera que é necessário estimular o investimento privado, sobretudo no sector não petrolífero, que continua a enfrentar entraves estruturais, a julgar pela burocracia bancária, a dificuldade de acesso ao crédito e a ausência de garantias reais como títulos de propriedade que limitam a capacidade dos empresários de expandirem os seus negócios.
Angola, recomenda a investigação, deve capitalizar mecanismos de protecção contra choques internacionais com a recapitalização do Fundo Soberano para que seja robusto, a acumulação de reservas estratégicas e a diversificação dos mercados de exportação, reduzindo a dependência da China e explorando novas parcerias com países africanos, asiáticos e latino-americanos.





