Angola deu um passo decisivo na sua estratégia de diversificação económica ao autorizar um investimento público de 449 milhões de euros para a construção de infra-estruturas integradas no Pólo de Desenvolvimento Turístico de Cabo Ledo e no corredor costeiro das Baías do Sul, num projecto que pretende reposicionar o país no mapa do turismo internacional e catalisar investimento privado à escala regional.
A decisão, autorizada pelo Presidente da República, João Lourenço, materializa-se através de despachos presidenciais que formalizam a contratação simplificada para a concepção e construção de infra-estruturas públicas essenciais, acessos viários, água, saneamento, energia, telecomunicações, iluminação pública e ordenamento urbano, em áreas de elevado potencial turístico, mas até agora limitadas pela ausência de condições estruturantes.
Infra-estrutura primeiro, investimento depois
O modelo adoptado pelo Executivo angolano segue uma lógica clara: o Estado entra primeiro com infra-estruturas críticas para reduzir o risco e o custo de entrada do capital privado. No caso de Cabo Ledo, o projecto prevê a implantação de cerca de 50 quilómetros de infra-estruturas viárias, sistemas completos de drenagem, abastecimento de água potável, iluminação pública, paisagismo urbano e sinalética turística, criando a espinha dorsal física de um dos mais ambiciosos destinos turísticos planeados do país
Esta abordagem enquadra-se no instrumento Planifica Turismo, aprovado em 2025, que visa ordenar o território turístico nacional, assegurar acessibilidade e segurança, e criar ambientes urbanos competitivos e atractivos para operadores internacionais.
Um destino pensado à escala global
Segundo o plano director, o Pólo de Desenvolvimento Turístico de Cabo Ledo poderá atingir, no seu horizonte de maturidade, uma capacidade estimada de 18.995 camas, distribuídas entre hotéis de 3, 4 e 5 estrelas, resorts de praia, eco-lodges, hotéis boutique, apartamentos turísticos, aldeamentos estruturados e residências turísticas de alto padrão.
O projecto vai além do alojamento. Estão previstas infra-estruturas âncora como centros de convenções, espaços para grandes eventos internacionais, centros de estágios multi-desportivos, parques de aventura e lazer, um campo de golfe de padrão internacional e zonas residenciais turísticas integradas, posicionando Cabo Ledo como um destino premium, multifuncional e competitivo no contexto africano
Diversificação económica com impacto real
O financiamento, assegurado através de uma linha externa disponibilizada pelo Banco Mitsubishi UFJ Finance Group (MUFG), não se destina à construção de hotéis ou resorts, mas sim à criação das condições-base que viabilizam a entrada de grandes desenvolvedores turísticos, operadores hoteleiros e promotores imobiliários, nacionais e internacionais.
O Ministério do Turismo confirma que já existem manifestações de interesse privado, até agora travadas pela inexistência de infra-estruturas adequadas. A expectativa do Executivo é que este investimento público funcione como um efeito multiplicador, com impacto directo na criação de emprego, dinamização das economias locais, aumento das receitas fiscais e redução da dependência estrutural do petróleo
A aposta surge num momento em que Angola procura afirmar o turismo como sector estratégico de médio e longo prazo, capaz de gerar divisas, emprego qualificado e desenvolvimento regional sustentável. Recorde.se que em 2025, o país foi distinguido como Melhor Destino de Investimento Turístico pelo Global Tourism Forum, um reconhecimento que o Executivo interpreta como validação das reformas em curso e da nova abordagem ao investimento no sector.





