Algumas empresas chinesas e indianas, que operam em Angola, são as que mais oferecem ambiente laboral precário, colocando em causa a vida dos colaboradores, apontou esta Quarta-feira, 22, em Luanda, o especialista de segurança no trabalho, José Fonseca.
O responsável falava à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, no final do Fisso – Fórum Internacional de Segurança e Saúde Ocupacional 2026, promovido pela Intelegere Business School, sob o lema “Informar, Medir e Cuidar”.
“Eu falo isso porque sou um consultor. Ando em Luanda e fora de Luanda. Existem empresas chinesas e indianas que trabalham de acordo com as normas nacionais e internacionais, mas são poucas. Existe como empresas indianas, a maior parte dessas empresas”, justificou.
De acordo com o também higienista ocupacional e membro da ABHO – Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais, a maior parte dessas empresas expõem os trabalhadores a agentes de riscos acima dos limites, “uma exposição que que o colaborador pode adquirir uma doença ou então um acidente”.
Inspecção Geral do Trabalho (IGT), que faz parte do Ministério da Administração Publica Trabalho e Segurança Social, é o órgão regulador da segurança, higiene e saúde no trabalho em Angola, mas o que sempre tento focar é que podiam fazer um pouquinho mais.
Argumentando, José Fonseca explica o facto de o país ter apenas duas empresas certificadas para fazer higiene ocupacional ou higiene no trabalho.
“É absurdo termos apenas duas empresas, porquê a higiene no trabalho previne doenças. Mas nós temos 78 empresas, certificadas pela Inspecção Geral do Trabalho, para fazer saúde no trabalho. A saúde no trabalho é apenas o monitoramento do colaborador para avaliar seu estado físico. Ela não previne doenças, o que previne doenças é a higiene no trabalho”.
José Fonseca defende a existência de mais empresas certificadas para fazer higiene do que saúde.
“A higiene, mais uma vez, previne acidente. Então, a empresa que faz higiene chega até ao local de trabalho do colaborador. Se tivemos uma exposição ao ruído ocupacional, ao fumo e ao químicos, temos que fazer uma medição para ver se os níveis desses agentes químico ou físico ou biológico está acima dos limites. Quando isso acontece, é feito e um plano de acção. Após isso, o colaborador vai para a saúde no trabalho”, explicou.
Neste caso, segundo considera, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT), deviria fiscalizar mais as empresas.
“O IGT deve aumentar o número de inspecção e não apenas se limitarem, pedido os exames ocupacionais, serviço de segurança e higiene. Devem ir um pouquinho mais além, que é o ambiente laboral do colaborador. Tudo acontece no ambiente laboral”, concluiu.

Já o administrador da Intelegere Business School, Fernando Lumaca, disse que o Fisso – Fórum Internacional de Segurança e Saúde Ocupacional 2026 visou levar às empresas e à sociedade a cultura de segurança e prevenção, acima de tudo.
“Queremos garantir melhor cultura dentro das organizações, aplicabilidade de questões voltadas à sustentabilidade, mas fundamentalmente olhar para a prevenção de acidentes em locais de trabalho e doenças ocupacionais, olhar de uma forma global e holística para a saúde das pessoas em contexto laboral”, referiu.
Segundo o administrador, Angola enfrenta um desafio que é a falta de dados.
“Não temos um local onde podemos ir buscar dados. O país está carente de técnicos de segurança e higiene no trabalho, o que não permite dar visibilidade aos aspectos voltados à prevenção, acabando muitas vezes sendo negligenciado pelas próprias empresas”, sublinhou.
Fernando Lumaca realçou que a grande preocupação é elevar o número desses profissionais, aumentar a qualidade dos que actuam nesta área e fazer com que não se olhe apenas para o sector petrolífero, sector industrial e da construção civil, mas para todas as instituições, porque em cada actividade, em cada trabalho que se faz, há sempre um risco associado.





