A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA) inaugurou, na Casa das Artes, a exposição “Terras que Brilham”, uma mostra de acervos fotográficos históricos da antiga Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), que convida o público a revisitar a memória visual das Lundas e da indústria diamantífera em Angola.
A exposição é composta por onze painéis e 55 fotografias, reproduzidas a partir dos negativos originais. O visitante será surpreendido pela luminosidade e nitidez das imagens, que contrariam a expectativa comum associada à fotografia antiga.
Os negativos, segundo uma nota, foram cuidadosamente tratados e limpos, sem recurso a artifícios técnicos, com o objectivo de restituir a imagem original tal como foi percecionada pelos seus contemporâneos.
O espólio apresentado integra o Arquivo Fotográfico da Diamang, actualmente sediado no Museu Nogueira da Silva, da Universidade do Minho, e constitui um acervo histórico de valor excecional.

Este arquivo testemunha o investimento precoce da Diamang no campo multidisciplinar da produção fotográfica, oferecendo um registo singular do passado colonial português em Angola.
Importa sublinhar que a produção fotográfica da Diamang era uma prerrogativa exclusiva dos técnicos do seu Laboratório de Fotografia e dos quadros superiores da Companhia.

Nesse contexto, as imagens reflectem sobretudo a visão institucional da administração da empresa até à independência de Angola, mais do que a experiência vivida pelas populações africanas e europeias que habitaram a região da Lunda.
A exposição “Terras que Brilham” assume-se, assim, como uma entrada preliminar para a reflexão crítica sobre este vasto acervo, levantando questões relevantes em torno da sua preservação, interpretação e divulgação pública.
A exposição conta com a curadoria de Fátima Moura Ferreira (Universidade do Minho – Lab2PT / In2Past) e Duarte Bel Esta iniciativa enquadra-se no âmbito de um Projecto de Investigação coordenado por Fátima Moura Ferreira, dedicado ao estudo e tratamento digital dos acervos fotográficos da Companhia de Diamantes, conservados no Museu Nogueira da Silva (Universidade do Minho) e no Arquivo Distrital de Braga.





