Opinião

Equidade privada e o mercado imobiliário: o novo tabuleiro estratégico de activos

Lígia Monteiro

Nos últimos anos, o mercado imobiliário realizou uma transição drástica, deixando de ser apenas um porto seguro para se transformar em um dos instrumentos estratégicos mais sofisticados e rentáveis para diversos investidores em todo o mundo. Em meio à volatilidade macro-económica, às mudanças de comportamento no modo de consumo e o impacto generalizado das novas tecnologias, o sector tem atraído níveis inéditos de atenção — e de capital — provenientes maioritariamente de fundos de private equity (PE).

Se olharmos para o passado, que acaba por ser sempre o impulsionador do presente, rapidamente percebemos que a cadeia imobiliária era vista como um investimento relativamente estável, mas pouco dinâmico. Hoje, a realidade não poderia ser mais distinta: fundos de private equity, conhecidos pela busca de assimetrias e pelo uso intensivo de dados, encontraram justamente nesse ambiente um terreno fértil e prospero. A digitalização da cadeia (da prospecção à administração de activos), permite transformar imóveis em plataformas lucrativas com fluxo previsível e rentabilidade à longo prazo. Por outras palavras, o sector em si, deixou de ser apenas o “real estate” e passou a ser o que os especialistas apelidam de “property technology”.

De algum tempo para cá, temos presenciado sistematicamente um aumento acentuado e significativo dos preços das casas, alimentado pelo turismo, investimento estrangeiro e um stock habitacional limitado para aquilo que é a oferta vs procura. Paralelamente, os salários cresceram a um ritmo muito inferior ao expectável do custo de vida actual, empurrando diversas famílias para a periferia ou, em alguns casos, para fora do próprio país. É neste contexto que a equidade privada surge como uma promessa aliciante: permitindo a compra de imóveis e reduzindo a necessidade de endividamento, repartindo assim o risco e o benefício entre proprietários e investidores.

A verdade é que nunca antes ter um imóvel foi um activo tão seguro como nos dias de hoje, e entre os investimentos dentro dos mercados de acções e o ramo de PE + imobiliário, a propriedade privada continua a ser o único ramo ou classe de activos em que é possível usar o dinheiro de terceiros para construir riqueza e gerar um cash flow em grande escala.

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