O psicólogo clínico angolano Ernesto Boma, de 26 anos, tornou-se o primeiro angolano nomeado para a categoria Best Ally dos Women in Tech Africa Awards, distinção que reconhece personalidades que apoiam activamente a participação, a inclusão e a liderança das mulheres no sector tecnológico.
A nomeação surge em paralelo com a distinção atribuída ao jovem pela organização global Jethro International, que o nomeou “Diplomata Civil Humanitário”, em reconhecimento do trabalho desenvolvido na promoção da inclusão social, na democratização do acesso à saúde mental, na educação e no desporto.
A condecoração como Diplomata Civil Humanitário terá a cerimónia oficial em Dezembro deste ano, em Portugal, enquanto os resultados dos Women in Tech Africa Awards serão conhecidos a 24 de Setembro, durante uma cerimónia em Flic en Flac, nas Maurícias.
O prémio Best Ally integra as nove categorias dos Africa Awards da Women in Tech, organização global dedicada ao apoio e empoderamento das mulheres na tecnologia, e distingue pessoas que, independentemente do género, desenvolvem acções concretas para promover ambientes inclusivos, equidade e diversidade na comunidade tecnológica.
A distinção assume particular relevância para Angola por colocar, pela primeira vez, um profissional angolano entre os nomeados desta categoria, num contexto em que a participação feminina nas tecnologias continua a ser uma das áreas estratégicas para o alargamento das oportunidades de emprego, empreendedorismo e liderança no continente.
Caso seja seleccionado como vencedor regional, Boma passará à fase dos Global Awards, marcada para 3 de Dezembro, em Paris, onde os vencedores africanos das diferentes categorias representarão o continente perante um júri internacional.
A nomeação também está associada ao trabalho desenvolvido pelo Grupo Indigo, empresa da qual Ernesto Boma é CEO, no apoio ao empoderamento feminino. Entre as iniciativas destacadas está a cedência de 130 bolsas de capacitação tecnológica a voluntárias da Women in Tech Angola, no âmbito do Programa UJUMO, além do apoio financeiro directo a projectos de empreendedorismo feminino no país.
É precisamente essa ligação entre reconhecimento individual e impacto institucional que confere uma dimensão adicional à nomeação. Mais do que premiar um percurso pessoal, o reconhecimento coloca em evidência iniciativas privadas orientadas para a capacitação tecnológica e económica das mulheres, num continente onde a inclusão digital é cada vez mais determinante para a competitividade e criação de oportunidades.
“Recebo as distinções com humildade”
Em declarações à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, Ernesto Boma afirmou receber as duas distinções com “a humildade de quem sabe que o trabalho apenas começou”, sublinhando que os reconhecimentos representam, para si, mais uma responsabilidade do que uma celebração pessoal.
“Ao longo da minha caminhada, guardei troféus que honram o que já foi feito, mas esta nomeação e esta distinção carregam um peso diferente. Elas não celebram uma linha de chegada; não pertencem ao ego; são faróis de responsabilidade colectiva”, disse.
Para Boma, representar Angola como aliado das mulheres nas tecnologias e como diplomata humanitário significa colocar a condição humana no centro das iniciativas de transformação social. “É admitir que os desafios são imensos, mas que a luz que emana de Angola e de toda a África é historicamente inabalável. Por isso, estes reconhecimentos são, antes de tudo, um espelho”, considerou.
O psicólogo entende que esse “espelho” reflecte sobretudo o potencial da juventude africana, que, na sua perspectiva, deixou de esperar pelo futuro para assumir um papel activo na sua construção, através da tecnologia, da empatia e da resiliência.
“Representa a certeza de que erguer as mulheres na ciência e na liderança não é uma escolha, mas o único caminho para a verdadeira emancipação do nosso continente”, defendeu.
Boma atribui, por isso, o significado das distinções à juventude angolana, que considera estar a demonstrar capacidade para transformar desafios sociais em oportunidades de mudança.
“Levo a bandeira de Angola como uma responsabilidade de iluminar caminhos, quebrar barreiras e provar que o nosso ecossistema tem asas globais”, concluiu.
Um Jovem, Vários Desafios
Director do Departamento de Saúde Mental e Apoio Psicológico da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Moçambique, Boma tem desenvolvido uma trajectória que cruza psicologia, empreendedorismo, activismo social, educação e desporto. É também escritor e alpinista, tendo associado algumas das suas iniciativas desportivas a causas humanitárias.
Entre os projectos em que participa está o “Golfe Cidadania”, que se apresenta como a primeira iniciativa gratuita de formação juvenil de golfe em África. É ainda voluntário das associações Ecoangola, Remar e AVA e cofundador de iniciativas ligadas à educação e intervenção social.
No alpinismo, Boma tornou-se o primeiro e único alpinista angolano a escalar por duas vezes o Morro do Moco. Actualmente, prepara-se para o Explorer’s Grand Slam, projecto de expedição internacional que pretende associar o desafio desportivo à sensibilização e angariação de fundos para melhorar o acesso aos cuidados de saúde mental em África.
Fluente em quatro idiomas e distinguido com oito prémios nacionais e internacionais de liderança e inovação, o jovem foi também a personalidade mais jovem a receber, aos 24 anos, em 2025, um galardão nos “Prémios Nacionalista e Humanismo”, em Angola.




