Após mais de dois anos fora de Angola, o ex-Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, regressou a Luanda, no início da tarde desta Terça-feira, 14, vindo de Barcelona ,onde alegadamente esteve por razões médicas.
A caravana protocolar que transportava José Eduardo dos Santos foi vista, por volta das 15 horas (horário de Luanda), em várias artérias da capital angolana, com escoltas policiais e sons de sirenes de aviso. Antes da sua chegada, também foram vistas movimentações na sua vivenda na zona do Miramar, com a equipa de segurança e de limpeza a preparar o regresso do ex-PR.
A saída do antigo estadista para Espanha deu-se após o mesmo ter declarado, em conferência de imprensa, não ter deixado os cofres do país sem um centavo de kwanzas, em resposta a uma declaração do seu sucessor, João Lourenço, que dizia, na altura, ter encontrado os Tesouro angolano “vazio”.
À FORBES, o analista Galvão Branco considera que o regresso de Eduardo dos Santos ao país é “oportuno” e que “desconstrói uma ideia que se tinha à volta da sua ausência de Luanda por vários meses. “É perfeitamente natural e conveniente. Podia até se ter dado algum tipo de apoio adequado. É menos uma situação que [o actual Executivo] tinha por resolver. Dá uma imagem de seriedade e elimina uma série de abordagens que se estava a fazer à volta disso. Podia se ter dado uma cobertura um pouco mais adequada”, defende o consultor.
José Eduardo dos Santos deixou o país em 2019 pela transportadora área portuguesa (TAP), em vez da angolana TAAG, meio onde o também ex-líder do MPLA tinha lugares reservados e pagos pelo protocolo do Estado, conforme uma nota da Casa Civil do actual Chefe de Estado.
João Lourenço ainda tentou demover o seu antecessor da decisão de embarcar no aparelho da TAP, mas, sem sucesso, já que José Eduardo dos Santos seguiu assim mesmo para Barcelona, com bilhete pago por si mesmo.
Naquele ano, a Casa Civil do actual Presidente da República fez sair um comunicado a dar conta de que a “surpreendente decisão” de José Eduardo dos Santos utilizar o voo comercial da TAP, “em detrimento da própria companhia de bandeira TAAG”, não respeita o protocolo, situação que levou João Lourenço a deslocar-se à residência do ex-chefe de Estado.





