O ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus desistiu da candidatura às eleições presidenciais de 19 de Julho, alegando uma “avalanche de inverdades criminosas” e clima de “divisão e crispação política” na declaração que entregou ao Tribunal Constitucional.
“Esta decisão foi tomada após profunda reflexão e ponderação responsável sobre as circunstâncias políticas actuais, sendo motivada por razões de natureza pessoal e pela firme convicção de que, diante de toda a avalanche de inverdades criminosas que têm sido difundidas e do clima de desconfiança que se instalou no país, a defesa do meu bom nome e da minha honra e a salvaguarda da integridade física e moral da minha família e de todos os meus apoiantes, devem prevalecer sobre quaisquer outras aspirações por mais legítimas que sejam”, lê-se na declaração.
Bom Jesus refere que ao aceitar o desafio de apresentar a candidatura foi “movido pelo sincero propósito de servir o povo santomense, contribuir para o fortalecimento das instituições democráticas e promover um projecto de esperança, estabilidade, progresso e unidade nacional”.
“Todavia, considerando as actuais circunstâncias e o contexto político em que vivemos, caracterizado, sobretudo, por uma divisão e crispação política sem precedentes que tende a agravar-se, e a necessidade de colocar acima de tudo, a coesão nacional e a serenidade do processo eleitoral, entendo que a decisão mais responsável e patriótica é a retirada da minha candidatura como forma de contribuir para o apaziguamento da situação e para a concórdia nacional”, declarou.
Na declaração, reconhece que a desistência acontece “fora do prazo estabelecido” na lei eleitoral que prevê admissão de desistência “até 24 horas antes da data de abertura do sorteio para a ordem de posição de cada candidatura ou candidato no boletim de voto”.
No entanto o seu mandatário, Gilson Leite, justificou a entrega da carta sublinhando que daqui para frente Jorge Bom Jesus “já não se apresentará ao eleitorado como candidato, não fará campanha, não estará em comícios, não estará em reuniões de sensibilização de apoio à sua candidatura”.
Há uma semana, diz a Lusa, o ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus reafirmou que era candidato às eleições presidenciais 19 de Julho, desmentindo o seu partido, que havia anunciado a sua desistência, declarando apoio à recandidatura do atual Presidente, Carlos Vila Nova.
Na altura, confirmou que se reuniu com a direção do MLSTP e com várias candidaturas, incluindo a de Carlos Vila Nova, para abordar assuntos ligados às eleições, incluindo questões financeiras, mas rejeitou qualquer recebimento ou desistência.





