Expo-Bengo 2026: Angolana TuriAgro exporta produtos agrícolas para Europa e RDC através de parcerias estratégicas 

A empresa angolana TuriAgro está a reforçar a presença dos produtos agrícolas nacionais nos mercados internacionais, com exportações de banana para a República Democrática do Congo (RDC) e o fornecimento de produtos agrícolas para a Bélgica e Portugal, através de parcerias estratégicas, revelou à Forbes África Lusófona o administrador financeiro da referida instituição. Jocas Muteia,…
ebenhack/AP
À Forbes África Lusófona, o administrador financeiro da TuriAgro, Jocas Muteia, assegurara que a empresa pretende ampliar a capacidade produtiva para responder à procura externa, que, em determinados momentos, supera os volumes disponíveis para comercialização.
Economia Negócios

A empresa angolana TuriAgro está a reforçar a presença dos produtos agrícolas nacionais nos mercados internacionais, com exportações de banana para a República Democrática do Congo (RDC) e o fornecimento de produtos agrícolas para a Bélgica e Portugal, através de parcerias estratégicas, revelou à Forbes África Lusófona o administrador financeiro da referida instituição.

Jocas Muteia, que falava esta Sexta-feira durante a Expo-Bengo 2026, assegurarou que a empresa pretende ampliar a capacidade produtiva para responder à procura externa, que, em determinados momentos, supera os volumes disponíveis para comercialização.

A TuriAgro, que desenvolve a sua actividade na província do Bengo, envia actualmente entre dois e três contentores de banana por semana para a República Democrática do Congo, segundo informações avançadas pelo responsável financeiro da empresa, durante a entrevista sobre a evolução dos negócios, os investimentos realizados e as perspectivas de crescimento das exportações agrícolas.

Além do mercado congolês, segunda detalhou, empresa já conseguiu colocar produtos agrícolas na Bélgica e em Portugal, recorrendo a parceiros comerciais responsáveis por assegurar os processos de exportação e facilitar o acesso aos compradores internacionais.

“A presença nestes mercados representa uma oportunidade para a empresa ampliar o escoamento da produção nacional e fortalecer as relações comerciais com operadores estrangeiros, num contexto em que a diversificação das exportações constitui um dos desafios da economia angolana”, avançou.

O responsável financeiro disse que a TuriAgro tem procurado consolidar a sua actividade com base na experiência adquirida no sector agrícola, na melhoria da qualidade dos produtos e no estabelecimento de parcerias que permitam colocar a produção angolana em mercados com exigências específicas de qualidade e segurança alimentar.

A estratégia de internacionalização “assenta, igualmente, no reforço gradual da capacidade produtiva, uma vez que a empresa considera que a disponibilidade de produtos constitui actualmente um dos principais factores que condicionam a expansão das vendas para outros países”.

Procura internacional supera capacidade de fornecimento

Apesar dos progressos alcançados no domínio das exportações, Jocas Muteia referiu que a empresa enfrenta dificuldades para responder integralmente às encomendas dos seus parceiros internacionais.

De acordo com o responsável financeiro, a produção disponível nem sempre é suficiente para satisfazer a procura dos clientes, situação que limita a possibilidade de assumir novos compromissos comerciais.

“Esta altura temos mais encomendas do que o produto em si para fornecer”, explicou o responsável, ao referir-se à diferença entre a procura registada e a capacidade actual de produção da empresa.

A situação evidencia, por um lado, as oportunidades comerciais existentes para os produtos agrícolas angolanos nos mercados externos e, por outro, a necessidade de aumentar a capacidade de produção para transformar essa procura em maiores receitas de exportação.

Neste sentido, defende a criação de condições para ampliar as áreas de cultivo e reforçar a produção, permitindo aumentar os volumes disponíveis para comercialização e assegurar maior regularidade no fornecimento aos parceiros internacionais.

Jocas Muteia considerou que o apoio das autoridades competentes será importante para facilitar o acesso a novas áreas agrícolas e criar condições para que as empresas do sector possam aumentar a produção destinada aos mercados externos.

“A expansão das áreas de cultivo permitiria, igualmente, à TuriAgro diversificar os destinos comerciais, reduzir as limitações de abastecimento e aproveitar oportunidades em mercados onde os produtos agrícolas angolanos possam encontrar compradores”, acrescentou.

Certificação facilita acesso aos mercados externos

A qualidade da produção constitui outro elemento considerado importante para a estratégia de exportação da empresa. Neste domínio, a TuriAgro dispõe da certificação GlobalG.A.P., um referencial internacional de boas práticas agrícolas que contempla requisitos relacionados com a segurança alimentar, os processos de produção e a rastreabilidade.

Conforme Jocas, esta certificação contribui para estabelecer relações comerciais com parceiros estrangeiros, ao demonstrar a adopção de procedimentos alinhados com exigências internacionais aplicáveis à produção agrícola.

A empresa trabalha com parceiros estratégicos que participam nos processos de exportação e asseguram a ligação com os mercados de destino.

Este modelo tem permitido à TuriAgro colocar os seus produtos no exterior, mesmo sem assumir isoladamente todas as etapas da operação comercial internacional.

“A experiência adquirida com as exportações para a Bélgica, Portugal e República Democrática do Congo poderá servir de base para futuras oportunidades de expansão, desde que a empresa consiga aumentar a produção e manter os padrões de qualidade exigidos pelos compradores”, enfatizou.

A consolidação destas relações comerciais é vista como uma forma de fortalecer a presença da produção angolana no exterior e de criar condições para que o agronegócio participe de maneira mais expressiva nas exportações nacionais.

Banana lidera produção e exportações

A banana, sustentou, ocupa uma posição central na actividade da TuriAgro, sendo uma das principais culturas exploradas pela empresa e o produto com maior destaque nas operações de exportação actualmente descritas.

A aposta nesta cultura resultou de um processo de adaptação às condições climáticas da região do Bengo.

Nos primeiros anos de actividade, a empresa produzia diferentes culturas, entre as quais tomate, pimento, cebola, repolho e batata-rena.

“Entretanto, as temperaturas elevadas registadas durante grande parte do ano dificultavam a produção de algumas hortícolas com qualidade fora da época do cacimbo. A produção controlada também implicava custos adicionais, tornando determinadas culturas menos competitivas”, recordou.

Perante estes desafios, a empresa decidiu concentrar gradualmente os investimentos na bananicultura, uma actividade em que conseguiu desenvolver maior experiência e consolidar a capacidade produtiva.

Posteriormente, alargou o portefólio com a introdução da papaia, do maracujá e da goiaba, procurando diversificar a oferta sem comprometer a especialização e a eficiência das operações agrícolas.

“Estamos a prever introduzir novas culturas, como melancia, limão e abóbora, numa estratégia de crescimento progressivo destinada a aumentar a variedade de produtos disponíveis e a criar novas possibilidades de comercialização”, afirmou.

A diversificação poderá contribuir para reduzir a dependência de uma única cultura e permitir à empresa explorar diferentes oportunidades de mercado, embora a banana continue a assumir particular relevância no actual processo de internacionalização.

Investimento superior a 40 milhões de dólares

Ao longo de aproximadamente 14 a 15 anos de actividade, a TuriAgro realizou investimentos estimados em mais de 40 milhões de dólares, segundo o responsável financeiro, que esclareceu que os dados detalhados sobre o investimento são matéria reservada à administração da empresa.

A criação da empresa, explicou,.esteve associada à estratégia de diversificação dos negócios do seu promotor, inicialmente ligado ao sector da construção civil. A entrada no agronegócio surgiu da intenção de explorar novas oportunidades económicas e investir na produção agrícola nacional.

“A actividade começou a desenvolver-se em 2012, tendo as operações comerciais com parceiros sido iniciadas em 2013. Desde então, a empresa passou por diferentes fases de aprendizagem, expansão e especialização produtiva”, indicou.

A evolução do negócio levou à adopção de uma estratégia mais focada, assente na consolidação das culturas com melhores condições de produção e na ampliação gradual do portefólio agrícola.

Actualmente, “a aposta nas exportações representa uma nova etapa para a empresa, que procura transformar a capacidade produtiva acumulada em maiores oportunidades comerciais e numa presença mais consistente nos mercados internacionais”.

Custos de produção condicionam competitividade

Apesar das perspectivas de crescimento, a TuriAgro considera que os custos de produção constituem um dos principais obstáculos à competitividade dos produtos agrícolas angolanos no exterior. Fotos: Tom Carlos

Entre os factores apontados estão os preços elevados dos insumos, muitos dos quais são importados, bem como os encargos relacionados com combustíveis e energia necessários ao funcionamento das operações agrícolas.

De acordo com o responsável, estes custos aumentam as despesas de produção e podem reduzir as margens das empresas, dificultando a concorrência com produtores de outros países.

“O mercado europeu é particularmente exigente neste domínio, uma vez que a banana angolana concorre com a produção proveniente de países sul-americanos, cujos custos de produção e processamento são apontados pela empresa como inferiores”, sinalizou.

Esta diferença, segundo destacou, pode influenciar os preços de venda e a capacidade de conquistar novos compradores, sobretudo quando os clientes internacionais dispõem de fornecedores alternativos com custos mais competitivos.

A empresa defende, por isso, a adopção de medidas de incentivo à agricultura, incluindo mecanismos que contribuam para reduzir os encargos de produção e melhorar as condições de acesso aos mercados internacionais.

Muteia  alerta ainda que o aumento dos custos operacionais poderá reflectir-se nos preços finais dos produtos vendidos no mercado nacional, pressionando o poder de compra dos consumidores.

Taxa de câmbio também influencia as exportações

A evolução da taxa de câmbio constitui outro factor que, na avaliação da empresa, influencia a rentabilidade das operações de exportação.

Para Jocas Muteia, a desvalorização do kwanza tem permitido, em determinadas condições, manter o interesse económico nas vendas ao exterior.

Contudo, uma eventual valorização da moeda nacional, sem uma redução proporcional dos custos de produção, poderá diminuir a competitividade dos produtos angolanos.

O responsável considera que, a médio e longo prazo, a sustentabilidade das exportações dependerá da capacidade de reduzir os custos internos e de criar condições que permitam às empresas competir com fornecedores internacionais.

Neste contexto, defende maior intervenção de apoio ao sector agrícola, através de incentivos que contribuam para melhorar a eficiência produtiva e reforçar a capacidade de exportação.

A empresa entende que o crescimento das exportações não depende apenas da existência de compradores estrangeiros, mas também da criação de condições económicas que permitam produzir a preços competitivos e assegurar o abastecimento regular dos mercados.

Exportações como oportunidade para diversificar a economia

A experiência da TuriAgro evidencia as oportunidades existentes para o agronegócio angolano no abastecimento de mercados regionais e europeus, particularmente através de produtos como a banana e outras frutas tropicais.

A continuidade desta expansão dependerá, contudo, da capacidade de aumentar a produção, garantir a qualidade, reduzir os custos operacionais e consolidar as parcerias comerciais estabelecidas.

Na perspectiva da empresa, o reforço da produção agrícola poderá permitir não apenas responder às encomendas actuais, mas também abrir caminho à conquista de novos mercados e ao aumento das receitas provenientes das exportações.

A ampliação da actividade poderá ainda contribuir para fortalecer a produção nacional, estimular o investimento privado e reduzir a concentração das exportações angolanas em sectores tradicionais.

Com presença comercial na República Democrática do Congo, na Bélgica e em Portugal, a TuriAgro pretende aproveitar as oportunidades identificadas no exterior e reforçar a participação dos produtos agrícolas angolanos no comércio internacional, tendo como prioridades o aumento da capacidade produtiva e a melhoria da competitividade.

Mais Artigos