Exportações de madeira processada de Moçambique crescem 311% no 1.º semestre

As exportações moçambicanas de madeira processada cresceram 311% no primeiro semestre, para 24.648 metros cúbicos, impulsionadas sobretudo pela entrada dos folheados nas vendas externas, que representaram mais de 22 mil metros cúbicos. Dados da execução do Governo, referentes ao período de Janeiro a Junho, mostram que o volume exportado mais do que quadruplicou face aos…
ebenhack/AP
O país exportou 24.648 metros cúbicos de madeira processada entre Janeiro e Junho, mais de quatro vezes o volume registado no mesmo período de 2025, com China, Maurícias, Vietname e África do Sul entre os principais mercados.
Economia

As exportações moçambicanas de madeira processada cresceram 311% no primeiro semestre, para 24.648 metros cúbicos, impulsionadas sobretudo pela entrada dos folheados nas vendas externas, que representaram mais de 22 mil metros cúbicos.

Dados da execução do Governo, referentes ao período de Janeiro a Junho, mostram que o volume exportado mais do que quadruplicou face aos 5.995 metros cúbicos registados no primeiro semestre de 2025. China, Maurícias, Vietname e África do Sul foram os principais mercados, enquanto o remanescente da produção foi absorvido pelo mercado interno.

A forte expansão, contudo, resulta essencialmente da alteração da composição das exportações. Segundo o relatório governamental, passaram a ser exportados folheados, toros e contraplacados, categorias que não registavam vendas externas no período homólogo de 2025.

Os folheados, segundo avança a Lusa, foram responsáveis pela maior parte do aumento, com exportações de 22.460 metros cúbicos, contra zero no primeiro semestre do ano passado. Foram ainda exportados 683 metros cúbicos de contraplacados e 150 metros cúbicos de toros.

Em sentido contrário, algumas categorias tradicionais perderam terreno. As exportações de tábuas caíram 80%, de 5.513 para 1.119 metros cúbicos, enquanto as pranchas recuaram 10%, de 120 para 108 metros cúbicos.

Também as peças de mobiliário registaram uma quebra de 62%, para 128 metros cúbicos, contra 337 metros cúbicos no mesmo período de 2025. Os barrotes, por sua vez, deixaram de ser exportados no primeiro semestre.

A evolução coloca em evidência uma transformação na estrutura das vendas externas de madeira moçambicana, mas também os desafios que permanecem na cadeia de valor florestal. Há precisamente um ano, operadores do sector defendiam a criação de preços de referência para os produtos florestais, argumentando que os produtores permanecem demasiado dependentes dos preços definidos pelos compradores internacionais.

“Temos custos de produção que não podem ser inferiores ao preço de compra. No negócio de madeira, o comprador é quem marca o preço. Não é sustentável”, afirmou, em Agosto de 2025, António Silva, vice-presidente da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma).

A federação, que reúne cerca de 400 operadores, defendeu então que os preços de referência deveriam considerar as diferenças geográficas e os custos de produção de cada província. Os operadores contestaram também a multiplicidade de postos de fiscalização nas estradas nacionais, alegando que os controlos realizados por diferentes entidades públicas aumentam os custos de transporte entre as zonas de exploração, processamento e os principais portos de exportação.

O sector florestal representa actualmente menos de 4% do PIB moçambicano e gera cerca de 22 mil empregos, segundo dados oficiais. A Fedemoma tem defendido uma revisão da legislação florestal para aumentar o peso económico da actividade através de maior processamento local, valorização dos recursos e desenvolvimento de novos produtos florestais.

O crescimento das exportações no primeiro semestre sugere maior capacidade de colocação de produtos processados nos mercados externos, mas a concentração do aumento numa categoria que não era anteriormente exportada mostra que o desafio permanece: transformar o crescimento pontual das vendas numa cadeia florestal mais diversificada, previsível e capaz de gerar maior valor acrescentado em Moçambique.

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