Exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário” realça racionalismo africano

A exposição "Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário", que visa realçar o racionalismo africano, a sua riqueza, face aos preconceitos e mitos difundidos pelas potências coloniais, foi inaugurada nesta Terça-feira, 29, no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa. Segundo a historiadora Isabel Castro Henriques, que coordena a mostra, “o que se pretende nesta exposição é…
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Inaugurada nesta Terça-feira no Museu Nacional de Etnologia, a amostra, que começou a ser preparada em Outubro de 2022, apresenta, tematicamente, cerca de 150 objectos.
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A exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário”, que visa realçar o racionalismo africano, a sua riqueza, face aos preconceitos e mitos difundidos pelas potências coloniais, foi inaugurada nesta Terça-feira, 29, no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa.

Segundo a historiadora Isabel Castro Henriques, que coordena a mostra, “o que se pretende nesta exposição é desmontar, desconstruir um conjunto de conceitos, de marcadores, de mitos que se criaram sobre os negros, os africanos e África”, tendo defendido que essa desconstrução tem de se fazer através do conhecimento histórico.

A mostra, explicou a historiadora, pretende igualmente destacar a racionalidade africana “face à ideia preconcebida de uma selvajaria africana”, uma das bases do colonialismo e justificação para tratar os africanos como primitivos, na atitude dominante das potências coloniais.

“Nós tivemos, durante o período colonial [do século XVI a 1974], um discurso, uma narrativa que marcou o nosso imaginário sobre quem eram os negros e África. Há todo um conjunto de noções, conceitos, categorias, digamos assim, que foram criadas na altura que são negativas, depreciativas: [que o africano] é selvagem, preguiçoso, que não tem leis, não tem regras, não tem História, que África é bárbara. Todo um conjunto de marcadores que foram difundidos”, disse a historiadora, citada pela Lusa.

E estes marcadores sobre o africano, apontou Isabel Castro Henriques, “foram difundidos de formas extremamente eficientes e eficazes, através da escola, e depois através de um conjunto de materiais que mostravam essa ‘selvajaria africana’”, do discurso colonial.

Isabel Castro Henriques autora do livro “Os ‘Pretos do Sado’” (2020), advertiu que todos os mitos sobre os africanos, nomeadamente o do “preto canibal”, percorreram os vários colonialismos europeus, não só o português.

A historiadora defende que “essa desconstrução tem de se fazer através do conhecimento histórico”. Daí que a exposição inclua 29 painéis de 3X2 metros, que articulam texto e imagem, partindo “precisamente, de um dos muitos mitos que povoam o nosso imaginário – África selvagem por exemplo -, e a partir daí”, se desmonte “esse mito através da História”.

“A África não é um espaço de selvagens, não sabendo fazer nada, não tendo criatividade nenhuma, não tendo racionalidade, não é. A África é um espaço de organizações políticas, de civilizações, de organizações históricas”, declarou a investigadora, autora de “A Descolonização da História” (2020).

Isabel Castro Henriques começou a preparar esta exposição em Outubro de 2022 e nela são apresentados, tematicamente, cerca de 150 objectos.

Desse modo, “a parte final da exposição reflete sobre a actualidade, aquilo que podemos chamar os legados do colonialismo no Portugal de hoje”.

*Napiri Lufánia

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