O Chefe de Estado da República de Moçambique, Filipe Nyusi, qualificou como um “grande ganho” a retomada da assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país banhado pelo oceano Índico, suspensa desde a descoberta das chamadas dívidas ocultas.
Esta reacção de Nyusi surge numa altura em que a conhecida instituição de Bretton Woods anunciou a aplicação de um Programa de Financiamento Ampliado até 2025, com ajuda financeira.
“Isso é um grande ganho para nós, eles já nos confiam”, afirmou Filipe Nyusi, falando com quadros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, na província de Inhambane, Sul do país, num áudio divulgado hoje pela Presidência da República.
Filipe Nyusi disse ainda que o acordo com o FMI prevê o desembolso de uma ajuda financeira no valor de 470 milhões de dólares, montante que já tinha sido referido nesta Segunda-feira, 28, pelo chefe da missão daquele organismo financeiro internacional a Moçambique, Álvaro Piris.
“É um programa que vai acelerar a recuperação económica de Moçambique, sobretudo por causa da Covid-19, do terrorismo e das calamidades naturais”, enfatizou Filipe Nyusi, citado pela agência Lusa.
De acordo com as linhas do programa, o instrumento aprovado pelo FMI prevê uma recuperação rápida da economia moçambicana e tem como pressupostos a promoção da boa governação, combate à corrupção, estabilidade macroeconómica e controlo da dívida, acrescentou Nyusi.
Para Nyusi, o reatamento da assistência financeira estimula outros parceiros de Moçambique a cooperar com o país lusófono africano, pois o FMI funciona como um farol. “Ninguém nos dava nada, após a descoberta das dívidas ocultas, e eu era conhecido como o Presidente do país dos ladrões”, afirmou Filipe Nyusi.
Esta é a primeira vez que o Fundo financia Moçambique desde a divulgação do chamado escândalo das dívidas ocultas, em 2016, havendo apenas a registar ajudas financeiras pontuais no seguimento de catástrofes específicas, como a pandemia da Covid-19 ou os ciclones Kenneth e Idai, em 2019.
Ajuda financeira a caminho
De acordo com o líder da equipa do FMI em Moçambique, Alvaro Piris, o organismo chegou a acordo técnico com as autoridades do país para um programa de três anos apoiado, a que designou “PFA”, no montante de 470 milhões de dólares.
“O programa económico do Governo apoiado pelo PFA tem como objectivos potenciar a sustentabilidade, o crescimento inclusivo e a estabilidade macroeconómica de longo prazo”, acrescentou o responsável, notando que o referido instrumento está ainda sujeito à aprovação do conselho de administração do FMI, o que geralmente acontece umas semanas depois do anúncio do acordo técnico.





