Devido aos conflitos que se assistem na República da Ucrânia desde o passado dia 24 de Fevereiro, os consultores da Agência Financeira Fitch Solutions acreditam que a parte subsaariana do continente africano, com destaque para Nigéria e Moçambique, deverão registar aumento nas vendas de energias, nomeadamente o gás, à Europa.
Na projecção dos analistas Fitch são apontados os novos projectos de natural liquefeito em Moçambique e na Nigéria como os investimentos que poderão liderar a produção de energia nesta região do continente africano e, por via disso, assinarem exportações com compradores europeus.
“A região da África subsaariana está bem posicionada para beneficiar do aumento da procura do seu gás, num contexto em que a Europeia procura fontes seguras de energia, devido às tensões agravadas na Rússia e Ucrânia”, lê-se numa análise às implicações do conflito.
Citada pela Lusa, a nota enviada aos investidores daquela agência refere ainda que “os novos projectos de gás natural liquefeito em Moçambique e na Nigéria vão liderar o crescimento da produção na África subsaariana, com muitos acordos de longo prazo a já estarem assinados com compradores fora da Europa, principalmente na Ásia.
Os analistas escrevem ainda que “a crise energética europeia deu um renovado “optimismo” para os grandes projectos africanos, como na Tanzânia ou em Moçambique, já que “os mercados na Europa estão urgentemente a procurar diversificar as suas fontes de energia face à dependência do gás russo, cujos preços subiram significativamente nos últimos meses”.
Em 2020, a russa Gazprom forneceu mais de 174 mil milhões de metros cúbicos (bcm) de gás à Europa, o que equivale a mais de 15% da procura gasista nesse ano, com a Alemanha, Itália e Áustria a serem dos maiores importadores de gás russo.
Dados disponíveis apontam ainda que a produção de gás na África Subsaariana “deverá aumentar nos próximos anos e passar de 79 bcm, em 2021, para 149 bcm em 2031, com Moçambique e Nigéria a contribuírem com aproximadamente 78,6% da produção regional no final desta década”, conforme nota dos analistas.
Moçambique está a preparar-se para ser um dos principais exportadores de gás a nível mundial, quando o projecto Coral FNLG arrancar, provavelmente no segundo semestre deste ano, mas a produção moçambicana só deverá aumentar exponencialmente a partir de 2026, partindo do princípio de a situação de segurança no norte do país se estabiliza.





