FMI alerta para riscos da inclusão de Angola na lista cinzenta do GAFI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para os riscos ainda não perceptíveis da inclusão de Angola na lista cinzenta do GAFI, admitindo que pode atrasar investimentos no Corredor do Lobito, e defendeu a resolução dos bancos sistémicos. Angola regressou em Outubro à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) devido a deficiências persistentes…
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Angola regressou em Outubro à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) devido a deficiências persistentes e não resolvidas em matéria de combate aos crimes de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.
Economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para os riscos ainda não perceptíveis da inclusão de Angola na lista cinzenta do GAFI, admitindo que pode atrasar investimentos no Corredor do Lobito, e defendeu a resolução dos bancos sistémicos.

Angola regressou em Outubro à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) devido a deficiências persistentes e não resolvidas em matéria de combate aos crimes de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

O GAFI é uma organização intergovernamental que visa combater o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo.

A chamada lista cinzenta inclui 25 países e jurisdições com “deficiências estratégicas” na acção contra a lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou proliferação de armas de destruição em massa, mas que se comprometeram a resolvê-las e que estão sujeitos a vigilância reforçada.

No relatório de avaliação de Angola hoje divulgado, o FMI reconhece progressos recentes em certos domínios, incluindo o reforço do quadro jurídico, melhoria do acesso à informação sobre beneficiário efetivo e reforço da capacidade de investigação.

Ainda assim, o país não conseguiu evitar o regresso à lista cinzenta devido essencialmente a deficiências não resolvidas na supervisão não bancária e demora nas investigações, ações judiciais e sanções relativas a crimes de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo devido ao seu perfil de alto risco.

O GAFI formulou um plano de ação para ultrapassar estas deficiências até ao início de 2027, que as autoridades começaram a implementar com o apoio do FMI e outros parceiros e que será fundamental para atenuar o impacto económico negativo da lista cinzenta, “que tem sido limitado até à data”, segundo o relatório consultado pela Lusa.

O FMI realça que a inclusão na lista cinzenta pode restringir as transações transfronteiriças, reduzir os fluxos de capitais e aumentar os custos do financiamento externo, enquanto uma perda súbita de entrada de capitais pode fazer esgotar as reservas, aumenta as pressões cambiais e pode conduzir à inflação.

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