A Fundação BAI, em parceria com os coleccionadores José Julião e Jeredh Santos, inaugurou na Quinta-feira, 23, em Luanda, a exposição “Angola 75 – A Expressão Gráfica da Independência”, uma iniciativa que resgata e reinterpreta a memória visual da luta e afirmação da soberania nacional, a partir de um acervo privado de grande valor histórico.
Patente no emblemático Palácio de Ferro, a mostra reúne mais de 200 peças – entre cartazes, notas de kwanza, recortes de imprensa, revistas, livros, discos, selos e mapas – que documentam, de forma transversal, os principais momentos da história contemporânea de Angola, com especial incidência no período entre 1960 e 1979, considerado decisivo para a construção da identidade nacional.
Mais do que uma exposição documental, “Angola 75” propõe uma leitura crítica das dimensões visuais, políticas e afectivas que moldaram o processo de independência, evidenciando o papel da produção intelectual e artística, muitas vezes secundarizada face à narrativa militar, na consolidação da soberania angolana.
Com direcção artística, design expositivo e produção da Letras e Expressões, e consultoria de Íris Chocolate, o projecto resulta de uma investigação conduzida por Tila Likunzi e João António Mérito, que procuraram tornar o acervo acessível a diferentes públicos, sem comprometer o seu rigor histórico.
Para Jeredh Santos, um dos promotores e coleccionadores, a exposição carrega um duplo significado, pessoal e colectivo. “Enquanto angolano, há um sentido patriótico claro: o de valorizar um esforço intelectual que também foi determinante na conquista e manutenção da nossa independência”, sublinhou.
O responsável destaca ainda o carácter simbólico da iniciativa enquanto materialização de um projecto pessoal. “Grande parte destes acervos permanece invisível, muitas vezes guardado em espaços privados. Esta exposição representa a oportunidade de partilhar com o público um património que é, na verdade, colectivo”, afirmou.
Com direcção artística, design expositivo e produção da Letras e Expressões, consultoria de Íris Chocolate, a exposição resulta de uma pesquisa de acervo conduzida por Tila Likunzi e João António Mérito.
Segundo a organização, a exposição evidencia o contributo de artistas, escritores, designers gráficos e editores nos debates políticos e culturais do seu tempo, posicionando a cultura como um espaço activo de intervenção e reflexão.
A Secretária de Estado da Cultura, Maria de Jesus da Piedade, considerou a iniciativa de elevada relevância, destacando o seu valor simbólico e educativo. “Não estamos apenas diante de uma exposição, mas de um encontro entre memória e identidade, onde a imagem se transforma em narrativa histórica”, afirmou.
Na mesma linha, a Presidente do Conselho de Administração da Fundação BAI, Inokcelina de Carvalho, sublinhou o papel da memória como ferramenta de formação cívica. “Acreditamos que a valorização da memória contribui para o desenvolvimento do sentido crítico e de pertença, sobretudo entre as gerações mais jovens”, referiu.
A aposta na cultura, acrescentou, integra uma estratégia mais ampla da Fundação BAI, que a encara como um instrumento essencial para promover educação, coesão social e construção de cidadania.
Neste contexto, a exposição inclui um programa estruturado de visitas educativas, dirigido a escolas, universidades e projectos socioculturais, com actividades de mediação que incentivam o diálogo intergeracional e a reflexão sobre identidade e memória colectiva.
A mostra estará patente até 29 de Maio de 2026, reforçando o compromisso da Fundação BAI com a valorização da cultura e da história como vectores de desenvolvimento social.





