Fundo Soberano de Moçambique cresce 6,5% e atinge 117 milhões USD

O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou uma valorização de 6,5% nos primeiros três meses de funcionamento, atingindo cerca de 117 milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique e consultados pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA. A evolução positiva ocorreu entre Dezembro de 2025 e o início de Março de 2026, período que coincide…
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A estrutura criada para gerir as receitas do gás natural começou a operar com crescimento positivo nos primeiros três meses desde o início efectivo da sua actividade, de acordo com o banco central do país.
Economia

O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou uma valorização de 6,5% nos primeiros três meses de funcionamento, atingindo cerca de 117 milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique e consultados pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA.

A evolução positiva ocorreu entre Dezembro de 2025 e o início de Março de 2026, período que coincide com os primeiros meses de actividade efectiva do fundo, criado para gerir parte das receitas provenientes da exploração de recursos naturais no país.

De acordo com o banco central, o desempenho inicial foi impulsionado sobretudo pelas primeiras receitas provenientes da exploração de gás natural liquefeito, sector que deverá desempenhar um papel determinante na transformação económica de Moçambique na próxima década.

Os dados indicam que o Governo moçambicano transferiu para o banco central 109,97 milhões de dólares como primeira tranche destinada à capitalização do fundo, montante proveniente das receitas iniciais da exploração de gás natural.

Posteriormente, a 06 de Janeiro de 2026, foi realizada uma nova transferência no valor de cerca de 6,2 milhões de dólares, elevando o volume de recursos disponíveis para o início das operações. Este capital constituiu a base financeira para a implementação do modelo de gestão do fundo e para o início da sua estratégia de investimento.

A criação do FSM está directamente ligada ao desenvolvimento dos grandes projectos de gás natural na Bacia do Rovuma, uma das maiores reservas de gás descobertas na última década em África e considerada um dos principais motores de crescimento económico do país.

O Fundo Soberano de Moçambique foi concebido como um instrumento estratégico de gestão das receitas provenientes dos recursos naturais, com o objectivo de assegurar que parte desses rendimentos seja canalizada para poupança nacional e investimento de longo prazo.

Segundo o Banco de Moçambique, que assume a gestão operacional da estrutura, o FSM deve ser entendido como uma carteira de activos financeiros gerida com base em critérios técnicos e enquadrada pela legislação nacional.

“O FSM é uma carteira de activos financeiros gerida de acordo com os princípios, regras e procedimentos estabelecidos na lei”, esclareceu a instituição.

Estabilidade macroeconómica e poupança para o futuro

De acordo com o banco central, a criação do fundo foi motivada pela necessidade de assegurar que as receitas geradas pela exploração de petróleo e gás contribuam para o desenvolvimento social e económico do país.

Além de apoiar o financiamento de projectos estruturantes, o fundo deverá desempenhar um papel relevante na estabilização macroeconómica, funcionando como um mecanismo de protecção contra a volatilidade das receitas provenientes dos recursos naturais.

Na perspectiva das autoridades monetárias, o FSM poderá tornar-se um pilar de estabilização do Orçamento do Estado e uma base para a criação de poupança nacional, garantindo que a riqueza gerada pelos recursos energéticos beneficie também as gerações futuras.

Para analistas económicos, o desempenho inicial positivo do fundo surge num momento em que Moçambique procura consolidar um modelo de gestão transparente e sustentável das receitas do gás, evitando riscos frequentemente associados a economias dependentes de recursos naturais.

Com os grandes projectos de gás natural a entrarem gradualmente em fase de produção e exportação, o FSM deverá ganhar dimensão ao longo dos próximos anos, podendo tornar-se um dos principais instrumentos financeiros do Estado para gerir a nova era energética do país.

A forma como o fundo será gerido – em termos de transparência, estratégia de investimento e disciplina fiscal – será determinante para garantir que o potencial económico do gás se traduza em crescimento sustentável, estabilidade macroeconómica e desenvolvimento de longo prazo para Moçambique.

 

 

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