O governo angolano identificou áreas agrícolas nas províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje para a implementação da cooperação agrícola com empresários brasileiros, no âmbito do reforço da produção nacional de alimentos.
A informação foi avançada pelo secretário de Estado para as Florestas, João da Cunha, esta semana, em Luanda, no final da reunião entre a equipa económica do Governo e o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, orientada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
João da Cunha disse que existem outras províncias com grande disponibilidade de terras, como o Moxico Leste, Cuando, Cubango, Lunda-Norte e Lunda-Sul, onde a fronteira produtiva poderá ser gradualmente alargada. O objectivo, disse o secretário de Estado, é fazer com que os empresários angolanos e brasileiros comecem a produzir já, sem perder mais tempo.
O responsável explicou, ainda, que a cooperação com o Brasil está focada, numa primeira fase, na produção de grãos e cereais, sectores em que Angola apresenta um défice significativo.
Entre as culturas prioritárias destacou o milho, a soja, a massambala e o massango, referindo que o Brasil dispõe de tecnologia comprovada capaz de ajudar o país a dar um salto produtivo.
Para além da produção de cereais e leguminosas, João da Cunha revelou que grupos empresariais brasileiros manifestaram interesse em investir na produção de cana-de-açúcar, para a produção de açúcar e de etanol.
Esta aposta, explicou, permitirá uma complementaridade com o desenvolvimento da pecuária, em particular da bovinicultura, através do aproveitamento de excedentes e subprodutos da cana-de-açúcar e do milho.
Na ocasião, o secretário de Estado confirmou que está prevista a deslocação de uma delegação angolana ao Brasil, no mês de Março, com o objectivo de fechar alguns aspectos técnicos do projecto que ainda não foram totalmente definidos, mas que não comprometem o andamento do projecto.
De acordo com João da Cunha, já existem acções concretas em curso no país, com empresários brasileiros em contacto directo com empresas angolanas que operam no terreno.
As partes estão a trabalhar e, se tudo correr bem, acredita que no início do ano agrícola, em Setembro, já haverá novidades desta cooperação.

Por sua vez, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Favaro, disse que o Governo brasileiro deu mais um passo decisivo no fortalecimento da cooperação com Angola no domínio da produção de alimentos, com a apresentação formal de uma proposta estruturante que prevê investimentos, transferência de tecnologia e parcerias entre produtores brasileiros e angolanos.
O ministro realçou que as semelhanças climáticas, de solo e culturais entre os dois países criam condições favoráveis para acelerar o desenvolvimento agrícola.
“O Brasil, há mais de cinquenta anos, investiu fortemente em ciência e tecnologia com a criação da Embrapa, hoje, a maior empresa de pesquisa agropecuária tropical do mundo. Essa experiência pode ser partilhada com Angola, permitindo alcançar resultados em muito menos tempo”, frisou.
Segundo Carlos Favaro, o Brasil disponibiliza linhas de financiamento através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, incluindo crédito para custeio, investimento e exportação. O ministro afirmou que o volume de investimento dependerá da demanda apresentada pelos produtores.
“Existe uma determinação do Presidente Lula de que o limite do investimento será definido pela demanda. Quanto mais os produtores brasileiros e angolanos pedirem para produzir, o Governo brasileiro, através do BNDES, Banco do Brasil está disposto a fazer os investimentos necessários”, afirmou.
O governante brasileiro reconheceu os investimentos que Angola realiza em ferrovias e rodovias, mas destacou a necessidade de reforçar as infra-estruturas dentro das propriedades agrícolas, sobretudo no armazenamento de grãos e na irrigação.
“O Brasil tem a tecnologia desenvolvida e está disposto a financiar para que essas máquinas e equipamentos possam funcionar aqui em Angola”, concluiu.





