Governo de Angola reforça segurança para atrair investimento privado em projectos públicos

O Estado angolano passou a dispor de um Manual de Procedimentos para a Estruturação de Projectos em regime de Parcerias Público-Privadas (PPP), instrumento que visa uniformizar os procedimentos de preparação e implementação de projectos, reforçar a segurança jurídica e criar melhores condições para a participação do sector privado no financiamento de infra-estruturas e serviços públicos.…
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Secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan Marques dos Santos disse que o Governo angolano iniciou, em 2017, um processo de reformas neste domínio, que incluiu a actualização da legislação sobre as parcerias público-privadas e a aprovação de regulamentação específica.
Economia

O Estado angolano passou a dispor de um Manual de Procedimentos para a Estruturação de Projectos em regime de Parcerias Público-Privadas (PPP), instrumento que visa uniformizar os procedimentos de preparação e implementação de projectos, reforçar a segurança jurídica e criar melhores condições para a participação do sector privado no financiamento de infra-estruturas e serviços públicos.

Falando à imprensa à margem da Apresentação Pública do Manual de Procedimentos para as PPP, realizada esta Sexta-feira, 23, em Luanda, o secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan Marques dos Santos, que explicou que o documento vem preencher uma lacuna nos mecanismos de orientação disponíveis para as instituições públicas e os investidores privados.

Segundo Ivan, o Governo angolano iniciou, em 2017, um processo de reformas neste domínio, que incluiu a actualização da legislação sobre as parcerias público-privadas e a aprovação de regulamentação específica.

No entanto, disse que faltava um manual operacional que orientasse a estruturação e a implementação dos projectos.

“Com o novo instrumento, pretende-se estabelecer procedimentos mais claros e previsíveis, facilitando a articulação entre o Estado, as empresas e as instituições financeiras interessadas em financiar projectos desta natureza”, salientou.

O responsável considerou que o manual poderá contribuir para melhorar a qualidade das propostas apresentadas e aumentar a capacidade das instituições públicas para avaliar os projectos antes da sua aprovação.

Portanto, acrescentou que entre as principais componentes do documento estão as orientações para a realização de estudos de pré-viabilidade e viabilidade, bem como a avaliação da sustentabilidade financeira dos projectos.

De acordo com o Santos, estes mecanismos permitem testar os pressupostos económicos e financeiros das iniciativas, ajudando a determinar se os investimentos são sustentáveis e se oferecem benefícios efectivos para a sociedade.

A análise é igualmente importante para os bancos e outros financiadores, que necessitam de avaliar os custos, os riscos e as perspectivas de retorno antes de decidir sobre a concessão de crédito.

O secretário de Estado para o Investimento Público disse que na elaboração do manual, foram consideradas boas práticas internacionais, com apoio de instituições como o Banco Mundial e a Expertise France. O documento foi, contudo, adaptado à realidade angolana, tendo em conta as necessidades e as prioridades de desenvolvimento do país.

O responsável destacou as necessidades de infra-estruturas associadas ao Corredor do Lobito, indicando que o plano director em desenvolvimento para esta região identifica iniciativas de investimento avaliadas em cerca de 12 mil milhões de dólares.

Segundo explicou, este montante representa necessidades e oportunidades de investimento identificadas em torno do corredor, e não o valor já aplicado em projectos de Parcerias Público-Privadas.

“A dimensão das necessidades de infra-estruturas reforça, na sua perspectiva, a importância de mobilizar capital privado para complementar os recursos públicos e acelerar a execução de projectos estruturantes”, realçou o representante do Governo.

O manual assegurou, pretende, por isso, criar condições para que o Estado e os investidores trabalhem em conjunto na preparação de iniciativas economicamente sustentáveis e com impacto positivo para as comunidades.

O sector dos transportes apresenta uma dinâmica mais avançada na utilização de modelos de PPP e concessões, segundo o responsável, que destacou a experiência acumulada neste domínio.

“O Governo angolano está igualmente a trabalhar com o Ministério da Energia e Águas na identificação e estruturação de projectos que possam atrair a participação do sector privado. O turismo é outra área que tem despertado o interesse de investidores, com várias solicitações já apresentadas para o desenvolvimento de iniciativas em parceria com o Estado”, explicou.

No sector das águas, foi destacado um projecto na província de Cabinda, cujo concurso já foi lançado e se encontrava, à data da entrevista, na fase de recepção de propostas.

O responsável não avançou valores relativos às receitas já arrecadadas pelo Estado com projectos desta natureza, remetendo essa informação para os dados disponíveis no sector dos transportes. Acrescentou que, noutros sectores, a estruturação de projectos em regime de PPP ainda se encontra numa fase inicial.

“Nós queremos sair de um bom projecto para um excelente programa de PPPs”, declarou Wenilton da Paixão. (Foto: Tom Carlos)

Por outro lado, o director nacional para as Parcerias Público-Privadas, Wenilton da Paixão, disse que apesar de contar com 16 iniciativas na carteira nacional de PPP, a Direcção Nacional para as Parcerias Público-Privadas não estabelece como prioridade aumentar o número de projectos, mas melhorar a qualidade e a maturidade daqueles que venham a ser implementados.

“Nós queremos sair de um bom projecto para um excelente programa de PPPs”, declarou Wenilton da Paixão.

O responsável explicou que uma das metas consiste em reduzir progressivamente o tempo e os custos associados à preparação dos projectos, aproveitando a experiência adquirida em iniciativas anteriores.

Na sua perspectiva, o sucesso de uma parceria deve ser avaliado pelo impacto na prestação dos serviços públicos e pelos benefícios que proporciona à população, e não apenas pelo número de contratos celebrados.

A carteira de projectos está concentrada sobretudo no sector das águas, mas inclui igualmente iniciativas nos domínios da indústria, do turismo, da energia e do ambiente.

De acordo com o director nacional, a situação e o grau de maturidade de cada projecto podem ser consultados no portal da instituição responsável.

Paixão esclareceu que, apesar dos projectos em carteira e do lançamento de procedimentos de contratação, Angola ainda não dispõe de nenhuma parceria público-privada em execução.

Entre as iniciativas em curso, destacou o concurso público relativo ao sistema de abastecimento de água da província de Cabinda. O projecto informou prevê um plano de investimento público de 294 milhões, a aplicar até 2039, destinado à construção, ampliação e reabilitação das infra-estruturas do sistema de abastecimento de água da província.

Segundo o responsável, o investimento do Estado deverá criar condições para melhorar a cobertura do serviço, enquanto o parceiro privado terá a responsabilidade de contribuir para o reforço do desempenho operacional, financeiro e comercial da EPAS Cabinda, empresa pública responsável pelo abastecimento de água.

“A expectativa é que a parceria contribua para assegurar um fornecimento de água mais regular à população”, disse.

O director nacional sublinhou que os projectos de PPP devem ser analisados também em função dos compromissos financeiros que representam para o Estado, incluindo eventuais responsabilidades directas e contingentes.

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