O ministro do Mar de Cabo Verde, Jorge Santos, defendeu, em Marrocos, o reforço do financiamento da economia azul, com a criação de ecossistemas de investimento e linhas de crédito específicas, sustentadas por uma cooperação regional efectiva e por uma verdadeira diplomacia azul e a construção de um sistema portuário regional competitivo, baseado na complementaridade, integração funcional e eficiência logística, capaz de reforçar a conectividade marítima e a competitividade do continente.
Jorge Santos na sessão de abertura da segunda edição da SEAFOOD 4 ÁFRICA, realizada em Dakhla, um dos mais relevantes fóruns continentais dedicados ao sector das pescas e da economia azul.
Na sua intervenção, sublinhou a importância estratégica do evento como plataforma de diálogo, concertação e construção de soluções sustentáveis para o futuro das pescas africanas.
O ministro sugeriu ainda a criação de uma Comissão Mista especializada em Economia Azul, com competências técnicas e operacionais, bem como a constituição de uma Câmara de Comércio entre Cabo Verde e Marrocos, enquanto instrumentos estratégicos para a promoção do investimento, do comércio, da cooperação empresarial e da transferência de conhecimento no domínio da economia do mar.
Sob o lema “Construindo cadeias de valor pesqueiras africanas sustentáveis, inovadoras e de alto desempenho”, o ministro destacou que o tema reflecte, com grande acuidade, os principais desafios e oportunidades do continente africano, que dispõe de vastos recursos haliêuticos, capital humano jovem e um enorme potencial ainda por explorar na criação de valor, emprego qualificado e riqueza ao longo de toda a cadeia produtiva.
Na sua comunicação, o governante realçou o carácter distintivo da SEAFOOD 4 ÁFRICA pelo seu formato integrado, que conjuga reflexão estratégica, exposição tecnológica e promoção de parcerias empresariais, defendendo que apenas através da articulação entre políticas públicas eficazes, investimento privado, inovação tecnológica e cooperação regional será possível transformar o setor das pescas num verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável em África.
Referindo-se a Cabo Verde, o ministro recordou que o nosso país, apesar da sua dimensão territorial reduzida, é um grande Estado oceânico, com mais de 99,3% do território constituído por mar, uma Zona Económica Exclusiva de 734.265 km² e uma posição geoestratégica singular no Atlântico sublinhando que, para Cabo Verde, o mar é simultaneamente pilar da economia, fator de segurança alimentar e elemento central da identidade nacional.
Neste contexto, elencou que a economia azul constitui um dos principais aceleradores do desenvolvimento sustentável do país, contribuindo actualmente com mais de 20% do PIB nacional, com particular relevo para os sectores do turismo marítimo e costeiro, transportes e logística marítima, bem como a pesca, a transformação e a comercialização de produtos pesqueiros.
Defendeu, contudo, que a concretização plena deste potencial exige uma forte aposta na agregação de valor local, através do desenvolvimento de cadeias de processamento robustas e competitivas.





