O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) reconheceu “oportunidades estratégicas” a explorar nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), começando por Angola e Moçambique, mas destacando a “abordagem fundamentalmente diferente” ao avanço chinês no continente.
“Os EUA veem muitas oportunidades estratégicas para estabelecer parcerias com os PALOP. Moçambique é obviamente um destino especialmente promissor para o investimento e para as parcerias comerciais dos EUA. É por isso que estou aqui na minha primeira viagem de diplomacia comercial de 2026”, disse a subsecretária adjunta do Gabinete para África do Departamento de Estado dos EUA, Sarah Troutman, em Maputo.
“Temos obviamente parcerias muito importantes em Angola, como o Corredor do Lobito [ferroviário, que liga o litoral ao interior do continente], que faz parte do nosso esforço para garantir cadeias de abastecimento de minerais essenciais e assegurar a compra para os EUA. Estas são, portanto, parcerias especialmente proeminentes, mas é claro que vemos oportunidades comerciais em todos os países do continente que falam português”, acrescentou.
Questionada sobre o impacto das tarifas impostas ao comércio global pelos EUA, quando ainda este mês a China, a segunda maior economia mundial, anunciou a isenção de tarifas nas exportações da generalidade dos países africanos, Troutman estabeleceu diferenças entres as apostas norte-americana e chinesa.
“Os EUA e a China têm uma abordagem fundamentalmente diferente das nossas relações económicas com os países africanos. Eu diria que a abordagem do Presidente Trump em relação às tarifas se baseia no respeito mútuo e na tentativa de reforçar e reequilibrar as nossas relações comerciais bilaterais. Nós, obviamente, pensamos que as empresas norte-americanas e o envolvimento do sector privado norte-americano nos países africanos é uma das melhores formas de estimular o crescimento económico no continente”, destacou.
Acrescentou, nesse sentido, que o seu papel no Gabinete para África do Departamento de Estado dos EUA é “procurar oportunidades para as empresas norte-americanas se envolverem em projeCtos estratégicos em África”, mas também “exortar os Governos a melhorarem o ambiente propício às empresas, para que estas se sintam mais atraídas a vir para cá e tenham mais oportunidades de participar”.
“As empresas norte-americanas têm, obviamente, os padrões mais elevados do sector, trazem também muitos benefícios para as comunidades locais. Por isso, quando incentivamos as empresas norte-americanas a envolverem-se, sabemos que isso não é apenas trazer negócios para um país africano, é também trazer competências locais e formação profissional, criando realmente oportunidades e melhorando a vida das populações locais”, explicou, citado pela Lusa.





