A Guiné-Bissau lançou o RESIslands, uma iniciativa financiada pelo Fundo Verde para o Clima (GCF) que pretende reforçar a capacidade do país para avaliar riscos climáticos e preparar propostas de investimento destinadas a proteger comunidades, meios de subsistência e ecossistemas.
Com duração de 30 meses, o programa procura transformar prioridades climáticas em projectos capazes de mobilizar financiamento, numa altura em que a subida do nível do mar, a erosão costeira, a intrusão de água salgada e as alterações nos padrões de precipitação pressionam sectores como a pesca e a agricultura.
A iniciativa, que apoia nove membros da Comissão Climática dos Estados Insulares Africanos (AISCC), foi lançada na Guiné-Bissau com consultas técnicas destinadas a definir prioridades, identificar necessidades de capacitação e articular o programa com iniciativas já existentes, segundo a Lusa, que cita a Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA).
Além da Guiné-Bissau, o RESIslands abrange Cabo Verde, Comores, Guiné Equatorial, Madagáscar, Maurícia, São Tomé e Príncipe, Seicheles e Tanzânia (Zanzibar). Na Guiné-Bissau, reúne instituições nacionais e parceiros para melhorar a avaliação de riscos, reforçar capacidades políticas e institucionais e preparar propostas de projectos climáticos.
A CEA sublinha que estas propostas ainda terão de ser validadas a nível nacional, desenvolvidas e posteriormente submetidas a decisões de financiamento. O objectivo é criar as condições técnicas e institucionais para que o país possa transformar os impactos climáticos em projectos susceptíveis de atrair capital.
Para Kjartan Fjeldsted, responsável pela gestão de programas da CEA, reforçar a resiliência climática na Guiné-Bissau é também uma questão de desenvolvimento, segurança e protecção dos meios de subsistência.
O ministro do Ambiente e da Acção Climática, Carlos Pinto Pereira, defendeu o acesso atempado das comunidades à informação climática e salientou que a introdução de equipamentos e tecnologias deve ser acompanhada por formação e apoio contínuo.
Segundo Inoussa Kaboré, representante da UNICEF e coordenador residente interino das Nações Unidas, as alterações climáticas já afectam os meios de subsistência, a segurança alimentar e o desenvolvimento económico do país.
O impacto é particularmente relevante nas zonas costeiras, nos mangais e no arquipélago dos Bijagós, que sustentam actividades económicas e a segurança alimentar de várias comunidades. O RESIslands pretende reforçar dados, capacidades e preparação de projectos necessários à futura mobilização de financiamento climático.
A iniciativa enquadra-se ainda na participação regional da Guiné-Bissau na AISCC e na “Via da Guiné-Bissau para os Estados Insulares Africanos”, adoptada numa conferência ministerial realizada em Bissau em 2025.




