A empresa Alport GE passará a assumir, a partir de 16 de Março, o controlo operacional dos portos de Malabo e Bata, as duas principais infra-estruturas marítimas da Guiné Equatorial. O anúncio foi feito esta Quinta-feira, 5, em Malabo, pelo vice-presidente da República, Teodoro Nguema Obiang Mangue.
A transferência da gestão ocorre após o término do período de transição de três meses previsto no contrato de concessão, fase durante o qual foram preparadas as condições técnicas e administrativas para a nova operadora assumir plenamente a actividade portuária.
A Alport GE resulta de uma joint venture entre a Holding Guiné Equatorial e a empresa turca Albayrak, criada para modernizar e explorar os portos do país, considerados activos estratégicos para o comércio externo e para a logística regional do Golfo da Guiné.
Segundo o vice-presidente, a partir da segunda quinzena de Março os portos passarão a funcionar como zonas privadas de acesso restrito, uma medida destinada a reforçar a eficiência operacional e garantir maior controlo das actividades logísticas.
Nguema Obiang Mangue alertou igualmente para a necessidade de evitar interferências externas na actividade portuária, sublinhando que o novo modelo de gestão pretende assegurar maior transparência, eficiência e optimização das operações.
Antes da entrega formal dos activos, as autoridades estão ainda a definir o perímetro operacional das áreas concessionadas, uma vez que existem infra-estruturas localizadas dentro dos portos que não fazem parte do contrato de concessão e que permanecerão sob gestão estatal.
Governo quer portos mais competitivos
Durante a sua intervenção, o governante manifestou preocupação com o nível das taxas portuárias actualmente praticadas, defendendo que as autoridades do sector deverão estabelecer tarifas mais competitivas e atractivas para operadores marítimos e investidores internacionais.
A expectativa do Governo é que a nova gestão permita aumentar o fluxo de navios, melhorar a eficiência logística e elevar a rentabilidade dos portos, transformando-os em plataformas mais competitivas para o comércio regional.
Para economistas, a concessão dos principais portos do país a um operador internacional insere-se numa estratégia mais ampla de modernização das infra-estruturas logísticas e diversificação da economia equato-guineense, historicamente dependente do sector petrolífero.
Uma gestão mais profissionalizada e orientada para o mercado poderá também reforçar a posição do país nas rotas marítimas da África Ocidental, num contexto de crescente competição entre portos da região.
De acordo com um comunicado publicado no portal do Governo da Guiné Equatorial, consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a joint venture foi formalmente criada em Abril de 2025 e, nos primeiros 90 dias de actividade, foram registados avanços considerados significativos.
Entre as iniciativas já implementadas destacam-se programas de formação para recursos humanos nacionais, a introdução de um novo sistema de gestão portuária e o lançamento de uma política de recrutamento diferenciada para o pessoal operacional.
Estas medidas fazem parte do plano inicial de reestruturação das operações portuárias, que visa elevar os padrões de gestão, melhorar a produtividade e posicionar os portos de Malabo e Bata como infra-estruturas logísticas mais eficientes na sub-região.





