Cabo Verde passou a produzir oxigénio medicinal com padrões internacionais de qualidade e segurança, após a inauguração da primeira central de produção instalada no Hospital Dr. Agostinho Neto, localizado na cidade da Praia.
A infra-estrutura representa um investimento de cerca de 7 milhões de euros, financiado pelo Governo cabo-verdiano no âmbito de uma parceria com o Fundo Global para o VIH, Tuberculose e Paludismo, através do CCS-SIDA.
A central, segundo uma nota publicada esta Quinta-feira, 05, no website do Governo, foi inaugurada pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças e da Economia Digital, Olavo Correia, e pelo ministro da Saúde, Jorge Figueiredo.
Com a entrada em funcionamento da nova central, Cabo Verde passa a produzir localmente oxigénio medicinal, reduzindo a dependência de importações e reforçando a capacidade de resposta do sistema hospitalar a emergências sanitárias.
De acordo com o Governo, a infra-estrutura representa um activo estratégico para o sistema nacional de saúde, permitindo maior preparação para crises epidemiológicas e para o aumento da procura por cuidados médicos especializados.
O oxigénio medicinal é considerado um recurso terapêutico essencial na medicina moderna, sendo amplamente utilizado em serviços de urgência, cuidados intensivos, blocos operatórios, neonatologia e no tratamento de doenças respiratórias e infecciosas.
Patologias como pneumonia, tuberculose e complicações associadas ao VIH dependem frequentemente de suporte respiratório, tornando o acesso contínuo ao oxigénio um elemento crítico para a prestação de cuidados de saúde.
Durante a inauguração, Olavo Correia destacou que o projecto integra uma estratégia mais ampla de reforço do sistema nacional de saúde, que inclui investimentos em infra-estruturas hospitalares, equipamentos médicos e valorização dos profissionais de saúde.
Garantiu que o Executivo tem promovido reformas que passam pela regularização de vínculos laborais, formação contínua dos profissionais e melhoria da governação do sector, com o objectivo de consolidar um sistema de saúde mais robusto e eficiente.
O ministro lembrou ainda que Cabo Verde prepara-se para realizar, ainda este mês, o primeiro transplante renal no país, com a participação de profissionais nacionais e especialistas estrangeiros, um marco que reflecte a evolução das capacidades clínicas do sistema de saúde cabo-verdiano.
Expansão para outras ilhas
A nova central instalada no Hospital Agostinho Neto garante, numa primeira fase, autonomia na produção de oxigénio para a ilha de Santiago, onde se concentra a maior parte da população do país.
Entretanto, o Governo anunciou que uma segunda central de produção será inaugurada em breve no Hospital Dr. Baptista de Sousa, localizado na ilha de São Vicente.
A expansão da capacidade produtiva deverá reforçar a segurança sanitária nacional, assegurando que diferentes unidades hospitalares disponham de abastecimento estável de oxigénio medicinal.
Além do impacto clínico, a produção local de oxigénio deverá gerar benefícios económicos significativos para o Estado cabo-verdiano. Segundo dados do próprio Governo, “o país poderá poupar cerca de 120 mil contos por ano”, valor anteriormente destinado à importação, transporte e armazenamento de cilindros de oxigénio.
A nova infra-estrutura permitirá reduzir custos logísticos, melhorar a previsibilidade orçamental do sistema hospitalar e aumentar a eficiência operacional das unidades de saúde.
O projecto representa um exemplo de investimento público com impacto directo na sustentabilidade financeira e na resiliência do sistema de saúde, especialmente em países insulares onde a dependência de importações pode representar riscos adicionais em momentos de crise.





