A inovação tecnológica em Angola não deve ficar concentrada em Luanda nem nos principais centros financeiros, defendeu o fundador e director do Hub de Inovação e Empreendedorismo da Região Sul de Angola (HubIE), Paulo Manuel Miguel de Oliveira.
O jovem empreendedor de 24 anos afirmou em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA que o desenvolvimento económico do país passa também pela criação de ecossistemas de inovação no interior, próximos das cadeias produtivas e das necessidades reais das empresas.
O fundador do HubIE, com sede no Huambo, Paulo Oliveira defendeu ainda uma abordagem que liga talento local, universidades, investidores e grandes operadores económicos, procurando transformar ideias em negócios sustentáveis.
“A inovação em África não pode continuar confinada às capitais políticas e financeiras. A verdadeira transformação económica do continente acontecerá quando descentralizarmos o capital, a tecnologia e o ecossistema de venture building para o interior, onde estão as cadeias produtivas reais, como a agricultura e a logística”, salientou.
A visão está associada ao posicionamento estratégico do Huambo no Corredor do Lobito, uma rota de importância económica para o transporte de mercadorias e a ligação entre zonas produtivas e mercados.
Neste contexto, disse que o HubIE procura afirmar-se como uma plataforma de construção e aceleração de negócios, com particular atenção às pequenas e médias empresas agrícolas e logísticas.
Inovação ligada à economia real
Entre as iniciativas promovidas pelo HubIE estão o Fórum Agro-Logística & Comércio e um programa-piloto de aceleração dirigido a pequenas e médias empresas dos sectores agrícola e logístico. No entanto, a proposta passa por aproximar estes negócios de soluções tecnológicas, instrumentos de financiamento e canais de comercialização, incluindo oportunidades de exportação.
A abordagem, segundo explicou, procura responder a um dos desafios enfrentados por muitos empreendedores fora dos grandes centros urbano, a dificuldade em transformar uma actividade económica numa empresa estruturada, com acesso a capital, ferramentas digitais e mercados.
Além do apoio ao desenvolvimento empresarial, o HubIE realçou o director, promove iniciativas de digitalização e literacia financeira dirigidas a pequenos comerciantes e operadores do sector informal. “O objectivo é ampliar o acesso ao conhecimento financeiro e às ferramentas digitais que podem melhorar a gestão das actividades económicas”, disse Paulo.
Para o responsável do HublE, a aposta na descentralização procura, assim, aproximar a inovação das comunidades e dos sectores que sustentam parte significativa da actividade produtiva regional.
A aposta nas fintechs e na inclusão financeira
O percurso de Paulo Oliveira inclui também a promoção do ecossistema de tecnologia financeira, conhecido como fintech. O empreendedor é fundador e co-organizador da primeira Conferência de Fintechs de Angola, iniciativa que, segundo a sua apresentação profissional, contou com financiamento do Banco Nacional de Angola (BNA) e apoio do Ministério das Finanças (MINFIN) e da Comissão do Mercado de Capitais (CMC).
A iniciativa, informou Paulo, procurou contribuir para o debate sobre o papel da tecnologia na modernização dos serviços financeiros, na inclusão de novos utilizadores e na criação de soluções ajustadas às necessidades das empresas e dos consumidores.
A experiência neste domínio está ligada à sua visão sobre a relação entre banca, tecnologia e economia real. Para Oliveira, as ferramentas financeiras digitais podem ajudar a aproximar empresas de mecanismos de financiamento e a melhorar a capacidade de gestão dos pequenos negócios.
A participação na comunidade internacional Black in AI, dedicada à inclusão e à representatividade de investigadores e profissionais negros na inteligência artificial, constitui outra dimensão do seu percurso. A ligação a esta rede aproxima-o dos debates sobre o desenvolvimento tecnológico, a diversidade e o acesso às oportunidades na economia digital.





