Igreja Católica em Angola quer destruição dos monopólios que inviabilizam a diversificação da economia e multiplicam a miséria

Os bispos católicos angolanos afirmaram nesta Quarta-feira que vencer a pobreza é o maior desafio do país e instaram o Governo a “destruir com coragem” os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia e multiplicam a miséria e exclusão. De acordo com o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel…
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Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, diz que vencer a pobreza constitui o maior desafio de Angola, considerando que a caridade assistencial é necessária no contexto do país, “mas a justiça social é imperativa”.
Economia

Os bispos católicos angolanos afirmaram nesta Quarta-feira que vencer a pobreza é o maior desafio do país e instaram o Governo a “destruir com coragem” os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia e multiplicam a miséria e exclusão.

De acordo com o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, vencer a pobreza constitui o maior desafio de Angola, considerando que a caridade assistencial é necessária no contexto do país, “mas a justiça social é imperativa”.

“Haja coragem política para destruir os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia, multiplicando cada vez mais os índices de pobreza, miséria e exclusão”, afirmou o arcebispo na abertura da I Assembleia Plenária da CEAST que decorre até 02 de Março em Luanda. Para travar os atuais índices de pobreza no país, José Manuel Imbamba propôs “um investimento na agricultura familiar, no ensino técnico-profissional e na desburocratização do crédito para os pequenos empreendedores”.

“E, para o efeito, urge a reabilitação das estradas secundárias e terciárias para garantir maior fluidez na comunicação e no escoamento dos produtos”, notou. O presidente da CEAST afirmou também que a situação social do país apresenta desafios e esperanças, salientando, no entanto, que a Igreja Católica “sonha por uma Angola de todos e para todos, inclusiva e meritocrática”.

Na sua intervenção, defendeu a necessidade de a cidadania no país “falar mais alto do que a militância partidária”, pois, observou, esta última é a única responsável pela intolerância que, infelizmente, se assiste nos últimos tempos, pelo fanatismo doentio, pela exclusão e pela falta de convívio salutar”.

“É hora de aprendermos a conviver na diferença e no respeito recíproco: todos, absolutamente todos, somos necessários para o progresso humano, social, cultural da nossa bela e acolhedora terra”, frisou.  O responsável apontou que o diálogo e participação estão igualmente entre os desafios, recordando que o diálogo “é o caminho real para a paz social e para o conhecimento recíproco necessário para a edificação do país”.

Por outro lado, salientou que a participação consciente, activa e responsável na coisa pública “é, ao mesmo tempo, um direito e um dever”, acrescentando que uma cidadania responsavelmente expressiva “une as inteligências e as vontades no essencial, suscitando convergências necessárias”.

No entender ainda do também arcebispo de Saurimo,, citado pela Lusa, Angola precisa de superar os medos e incertezas que pairam sobre os cidadãos, sobretudo no seio de muitos jovens, “cujas vidas continuam reféns das estruturas do mal, da bajulação, do oportunismo, do imediatismo, das intrigas e dos vícios”.

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