O vice-presidente para África da Corporação Financeira Internacional, IFC na sigla inglesa, Sérgio Pimenta, detalha que, na última década, a instituição mais do que duplicou o investimento e a mobilização nos países da África Lusófona, tendo o sector privado como parceiro-chave.
A Corporação Financeira Internacional (IFC) faz parte do Grupo do Banco Mundial. Que papel desempenha no seio desta instituição?
Um sector privado forte e envolvido é indispensável para relançar o crescimento económico, acabar com a pobreza extrema e impulsionar a prosperidade partilhada. É aí que a IFC entra em jogo. Trabalhamos com o sector privado nos países em desenvolvimento para criar mercados que abram oportunidades para mais pessoas, como proprietários de pequenas empresas, empresários, incluindo mulheres empresárias e jovens. A IFC é a maior instituição de desenvolvimento global focada exclusivamente no sector privado nos países em desenvolvimento.
Como vice-presidente para África, quais são os principais objectivos que tem no terreno?
O objetivo da IFC é enfrentar os desafios de desenvolvimento e criar oportunidades nos mercados emergentes, tendo o sector privado como parceiro-chave para fazer avançar o crescimento inclusivo. Isso inclui o desenvolvimento de projectos críticos de infraestrutura para aumentar o acesso à electricidade e à Internet de banda larga, permitindo que pequenas empresas acedam a financiamentos e oportunidades para prosperar e crescer, capacitando mais mulheres como empreendedoras e líderes, para reduzir as disparidades de género, desenvolvendo os mercados da habitação sustentáveis e inclusivos, reforçando o acesso a serviços críticos, como cuidados de saúde acessíveis e de qualidade, e ajudando a conectar mais pequenos agricultores e agricultoras a mercados e cadeias de abastecimento. O combate aos efeitos das alterações climáticas na região também será crítico. Em 2040, as energias renováveis poderão fornecer mais de 40% de toda a capacidade de geração de energia na África Subsaariana, e isso exigirá soluções inovadoras que ajudem mais países a desenvolverem mercados para as energias renováveis, assim como, a implementarem práticas de adaptação climática, desde os agronegócios à manufactura e infraestruturas.
Nesta fase, quais são os principais desafios do continente para alcançar um crescimento inclusivo e sustentável? E como esses desafios afectam a capacidade da IFC para mobilizar capitais e investir?
Agora, mais do que nunca, o sector privado tem um papel importante a desempenhar, mas de um modo diferente. Muitos governos viram uma deterioração das suas situações fiscais, e as incertezas macroeconómicas podem dissuadir os investidores. A estratégia da IFC é a de ajudar os países a responderem à pandemia e estabelecerem um trajecto para a recuperação. Um elemento-chave para que isso aconteça é a criação de mercados. Um dos maiores obstáculos para desenvolver o sector privado nos países em desenvolvimento tem sido a falta de projectos com suficiente apoio financeiro e promessa empresarial para serem considerados “bancáveis” pelos investidores e investidoras internacionais.