O Presidente da República de Angola, João Lourenço, procedeu, nesta Quinta-feira, 22 de Outubro, à abertura oficial da 4.ª edição da Bienal de Luanda — Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, que decorre na capital angolana sob o lema do reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos.
A cerimónia contou com a presença do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Antoine Tshisekedi, de uma antiga Presidente da Libéria, do Vice-Presidente do Burundi e do director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), além de representantes diplomáticos, académicos, especialistas, jovens e outras personalidades provenientes de diferentes partes do mundo.
No discurso de abertura, João Lourenço destacou a necessidade de enfrentar a insegurança, a instabilidade e outros constrangimentos que condicionam o desenvolvimento do continente africano, defendendo o reforço das iniciativas destinadas à promoção da paz, da estabilidade e da cultura de não-violência.
O Chefe de Estado angolano considerou que a temática desta edição constitui um desafio para os países africanos, tendo em conta a importância da água para a saúde, o bem-estar das populações e o desenvolvimento dos sectores agrícola, pecuário e industrial.
Segundo João Lourenço, a gestão dos recursos hídricos deve merecer atenção prioritária, uma vez que, apesar de África possuir algumas das maiores bacias hidrográficas e aquíferos do mundo, uma parte significativa da população continua a enfrentar dificuldades no acesso à água.

Para o Presidente da República, esta realidade exige a definição de políticas e estratégias capazes de responder, com urgência, às necessidades das comunidades e de prevenir conflitos associados ao acesso e à utilização dos recursos hídricos.
Bienal promove diálogo e cultura de paz
João Lourenço sublinhou que a Bienal de Luanda, realizada em Angola desde 2019, se consolidou como uma plataforma de intercâmbio multicultural e geracional, promovendo a participação das mulheres e dos jovens na construção de soluções para a prevenção e resolução pacífica de conflitos.
O estadista destacou igualmente a importância da mobilização conjunta dos governos, das instituições políticas, das associações cívicas, dos representantes dos sectores da cultura e da ciência e dos parceiros internacionais, com particular destaque para a UNESCO.
Na sua perspectiva, a cooperação entre estes actores pode contribuir para antecipar crises, neutralizar tensões e consolidar uma nova relação entre os governos e as populações, assente no diálogo, na tolerância e no entendimento mútuo.
O Presidente angolano defendeu ainda que a cultura de paz deve ser incorporada no quotidiano das famílias, das instituições de ensino, dos colectivos profissionais e da sociedade em geral, como forma de fortalecer a prevenção e a resolução de conflitos.
Esta abordagem, acrescentou, está alinhada com os objectivos da Agenda 2063 da União Africana, particularmente a ambição de alcançar o “Silenciar das Armas em África”.
Água e conflitos em África
A 4.ª edição da Bienal de Luanda decorre essencialmente através de painéis temáticos, nos quais os participantes analisam os desafios da governação dos recursos hídricos e a sua relação com a paz, a segurança e a estabilidade no continente.
O encontro procura estimular a partilha de experiências e a identificação de mecanismos de cooperação que permitam melhorar a gestão da água, reduzir as tensões entre comunidades e países e promover soluções sustentáveis para os desafios associados à escassez deste recurso essencial.
A iniciativa mantém o compromisso de reunir diferentes sectores da sociedade africana e parceiros internacionais em torno da construção de uma cultura de paz e não-violência, num contexto em que o acesso aos recursos naturais constitui uma das questões relevantes para o desenvolvimento sustentável do continente.





